Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Documentos comprovam abuso sexual de refugiados menores em centro de asilo australiano

  • 333

ONG alertam há muito para condições "deploráveis" do campo de Nauru

Getty Images

"The Guardian" publica esta quarta-feira mais de oito mil páginas de ficheiros do centro da ilha de Nauru, que até novembro albergava mais de 500 requerentes de asilo, incluindo 70 crianças

O jornal britânico "The Guardian" divulga esta quarta-feira documentos internos de um centro de processimento de pedidos de asilo que a Austrália gere em Nauru onde são revelados "os abusos e trauma devastador" infligidos aos refugiados, sobretudo crianças, mantidos naquela ilha do Pacífico.

Mais de dois mil relatórios que totalizam oito mil páginas foram entregues ao jornal britânico dias depois de o Governo da Austrália ter refutado as acusações da Amnistia Internacional e da Human Rights Watch de que está a fazer vista grossa aos abusos cometidos na ilha soberana onde mantém um de dois centros para requerentes de asilo como forma de desencorajar outros refugiados e migrantes a viajarem até ao país.

Nos ficheiros de Nauru é revelado um longo leque de agressões, abuso sexual, tentativas de suicídio e duras condições de vida no centro de processamento de pedidos de asilo gerido pela Austrália, que pintam um cenário rotineiro de crueldade e horrores.

De acordo com a análise do "The Guardian" a estes documentos, mais de metade dos 2116 incidentes registados, num total de 1086 ou 51,3% deles, envolvem crianças, embora estas apenas representem cerca de 18% do total de detidos no centro de Nauru à data da recolha de informações e dados, entre maio de 2013 e outubro de 2015. De acordo com a Comissão Australiana de Direitos Humanos, no final de novembro passado havia 543 requerentes de asilo albergados no centro da remota ilha, entre eles 70 crianças.

Entre os incidentes registados conta-se o momento em que um rapaz foi ameaçado de morte por um guarda do centro de detenção de migrantes e uma série de registos de outras agressões a menores pelos responsáveis pela segurança do espaço. Em setembro de 2014 há registo de uma jovem refugiada pedir para tomar um banho de quatro minutos em vez de dois, pedido esse que foi aceite por um dos guardas em troca de favores sexuais.