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Tailândia quer que turistas usem cartões de telemóvel com detetor de localização

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LILLIAN SUWANRUMPHA/GETTY

Medida não é considerada pela junta militar uma limitação aos direitos dos turistas, mas antes de a proposta avançar serão ouvidos a polícia, as autoridades do turismo e os operadores de viagem

A junta militar no poder na Tailândia está a ponderar impor aos milhões de turistas que visitam o país todos os anos cartões de telemóvel específicos, com detetor de localização incluído.

"Não se trata de limitar os direitos dos turistas. Pelo contrário, trata-se de os localizar, o que será útil se certos turistas ficarem demasiado tempo ou estiverem em fuga [da polícia]", justificou Takorn Tantasith, secretário geral da comissão de telecomunicações, em conferência de imprensa realizada estar terça-feira, em Banguecoque, capital tailandesa.

O responsável não adiantou detalhes sobre a tecnologia que será utilizada no controverso projeto, mas recusou que tal signifique uma invasão da privacidade.

Antes de avançar com a proposta, a comissão vai ouvir a polícia, as autoridades do turismo e os operadores de viagem, garantiu, acrescentando que a localização de turistas só será feita com autorização expressa de um tribunal.

A proposta já recebeu o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e da Segurança Pessoal. "Seria útil, se um estrangeiro estiver de visita e cometer um crime, porque, no passado, conseguiria fugir ou poderia ser difícil encontrá-lo", concordou Pongsathorn Chansri, responsável do ministério.

Atualmente, os turistas podem comprar cartões de telemóvel (SIM) sem fornecer a identidade e algumas companhias aéreas até oferecem cartões gratuitos aos seus passageiros, sem qualquer registo.

Esta não é a primeira vez que o regime militar tailandês, que tomou o poder há dois anos, tenta controlar os cidadãos estrangeiros que visitam o reino, famoso pelos templos e praias.

São esperados 32 milhões de visitantes este ano, numa indústria que representa um décimo da economia tailandesa.

No início do ano, uma base de dados que recenseia os estrangeiros instalados na Tailândia, contendo informações pessoais, foi divulgada pela imprensa local, embaraçando as autoridades.

Em 2014, após a morte de dois britânicos numa praia, a junta anunciou um projeto de pulseira de identificação para os turistas, alegando que pretendia protegê-los, mas o projeto foi rapidamente abandonado.

"Se eles estiverem bêbados e adormecerem na praia, poderemos levá-los ao hotel", exemplificou, na altura, o chefe da polícia dirigida aos turistas.

Há uns meses, os serviços de imigração tailandeses adotaram uma política sob o lema, em inglês, "Bad guys out, good guys in" (os maus ficam de fora, os bons podem entrar).

A explicação oficial é a de limitar a permanência de criminosos na Tailândia, placa giratória de tráficos de todos os tipos, de falsos documentos a drogas, mas sobretudo de pessoas, nomeadamente menores, com fins de exploração sexual.

Desde o ano passado que os estrangeiros com autorização de residência e trabalho na Tailândia têm de mostrar o passaporte antes de comprarem cartões SIM ou fazerem contratos com operadoras móveis.