Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Mais de 100 mortos em protestos contra o governo da Etiópia

  • 333

Amnistia Internacional denuncia que as forças etíopes têm usado sistematicamente força excessiva para silenciar vozes dissidentes

Pelo menos 104 pessoas foram mortas e uma centena ficou ferida em confrontos ocorridos no último fim de semana na Etiópia, entre a polícia e manifestantes contra o Governo, indicaram hoje fontes da oposição e diplomáticas.

Os protestos estenderam-se por toda a região de Oromia e chegaram mesmo à capital, Adis Abeba, um acontecimento raro num país com um Governo considerado um dos mais repressivos em África.

Um diplomata confirmou que só 49 pessoas morreram por toda a Oromia, uma região que abrange o centro-oeste da Etiópia, e em Amhara, no norte do país.

"Parecem ser protestos de nível básico, bastante desorganizados e espalhados por todo o lado. A resposta brutal do Governo corre o risco de provocar mais raiva e piorar a situação", disse o diplomata citado pela agência de notícias francesa, AFP, a coberto do anonimato.

Segundo a Amnistia Internacional (AI), registaram-se também centenas de feridos, porque "as forças de segurança etíopes dispararam balas verdadeiras sobre manifestantes pacíficos em toda a região de Oromia", que saíram à rua para exigir "reformas políticas, justiça e a aplicação da lei".

No comunicado divulgado esta segunda-feira, a AI precisa que "o maior banho de sangue – que poderá ser classificado como execuções sumárias – ocorreu na cidade de Bahir Dar, no norte do país, onde pelo menos 30 pessoas foram mortas num dia".

"A resposta das forças de segurança foi pesada, mas não surpreendente. As forças etíopes têm sistematicamente usado força excessiva nas suas tentativas mal sucedidas para silenciar vozes dissidentes", disse Michelle Kagari, vice-diretora regional da Amnistia Internacional para a África Oriental, Corno de África e região dos Grandes Lagos.

"Estes crimes devem ser imediata, imparcial e eficazmente investigados e todos os suspeitos de responsabilidade criminal devem ser levados à justiça em julgamentos justos, em tribunais civis normais, sem recurso à pena de morte", sustentou a responsável da AI.

As autoridades bloquearam desde sexta-feira o acesso às redes sociais, o principal instrumento utilizado pelos ativistas para convocar os protestos.