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“Falhas” na construção de central nuclear na Bielorrússia preocupam potências regionais

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SERGEI GAPON

Em particular a Lituânia, cuja capital, Vilnius, fica a 50 quilómetros da nova infraestrutura de enriquecimento de urânio, a primeira a ser construída por Minsk desde o desastre nuclear de Chernobyl há 30 anos

Meses depois de a comunidade internacional ter assinalado os 30 anos do pior acidente nuclear da História, na cidade ucraniana de Chernobyl, a Bielorrússia, que viu um quarto do seu território ficar contaminado na sequência do desastre de 1986, está a construir a sua primeira central de produção de energia atómica. Mas uma série de incidentes e “falhas” nos últimos meses em torno da nova central de Astravets está a aumentar as preocupações dos países vizinhos sobre a segurança desta diligência, em particular da Lituânia, cuja capital, Vilnius, fica a menos de 50 quilómetros daquela zona.

Diz o diário “The Guardian” que, em julho, os media locais noticiaram que os trabalhadores de Astravets deixaram cair um contentor de um dos reatores nucleares da central enquanto o mudavam de sítio. No Facebook, Nikolai Ulasevich, do Partido da Unidade Cívica, da oposição, denunciou que o contentor de 330 toneladas caiu de uma altura de entre dois a quatro metros. Duas semanas depois, o Ministério da Energia do país confirmou a ocorrência de uma “situação de emergência” na zona de construção da central.

A Rosatom, empresa estatal russa contrada pelo Governo bielorrusso, garantiu que não foram registados danos e que o reator será instalado como planeado assim que for obtido aval dos seus supervisores. Apesar dessas garantias, o vice-ministro da Energia, Mikhail Mikhadyuk, anunciou entretanto que a instalação do reator foi suspensa para que sejam efetuados mais testes de segurança no local.

O último de uma série de incidentes já registados em Astravets gerou uma guerra de palavras entre as autoridades bielorrussas e os vizinhos lituanos, com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia, Linas Linkevicius, a acusar o país de uma falta de transparência inaceitável. “Estes incidentes, que estão a acontecer de tempos a tempos, esta falta de transparência levam a que apenas saibamos deles por fontes abertos, normalmente demasiado tarde. Isto não é como devia ser. Este último incidente, em que um recipiente de reator nuclear pode ter ficado danificado, é muito perigoso.”

Os primeiros planos de construção da central de Astravets foram delineados nos anos 1980 mas foram rapidamente abandonados após o desastre de Chernobyl, que provocou a morte de pelo menos quatro mil pessoas por exposição a elevados níveis de radiação, para além de contaminar vastas áreas daquela região.

Após um período de tensões diplomáticas com a Rússia em 2007 por causa das importações de gás, das quais a Bielorrússia depende em 90%, o Presidente do país, Alexander Lukashenko, conhecido como “o último ditador da Europa”, ordenou a construção efetiva da central para contrariar a dependência energética da Rússia.

Ainda assim, o projeto, cujo custo total está avaliado entre os 5000 milhões e os 22 mil milhões de dólares (entre 4,5 mil milhões e 19,8 mil milhões de euros), está a cargo de empresas russas e é cofinanciado por Moscovo. A unidade 1 da central deverá estar concluída e pronta a funcionar em 2018 e a unidade 2 em 2020, estando planeada a instalação de mais dois reatores até 2025.