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Dez estrangeiros detidos na Turquia por alegada participação no golpe falhado

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Numan Kurtulmus (ao centro) é o vice-primeiro-ministro da Turquia desde 2014

ADEM ALTAN / AFP / Getty images

Vice-primeiro-ministro, Numan Kurtulmus, diz que um dos suspeitos tentou entrar ilegalmente no país pela fronteira com a Síria

As autoridades turcas detiveram pelo menos dez cidadãos estrangeiros sob acusações de terem participado na tentativa de golpe militar contra o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, a 15 de julho.

À imprensa, o vice-primeiro-ministro, Numan Kurtulmus, confirmou as dez detenções, dizendo que pelo menos quatro dos suspeitos vão ficar na prisão a aguardar julgamento por alegadamente terem ajudado o rival de Erdogan, Fethullah Gülen, que o Governo turco responsabiliza pelo golpe falhado.

Uma quinta pessoa já foi libertada e pelo menos um outro estrangeiro está em fuga, disse Kurtulmus numa conferência na segunda-feira à noite após um encontro do seu gabinete. Um dos homens que foi detido no sábado à noite tentou entrar no país ilegalmente pela fronteira síria, acrescentou o dirigente político.

Em tempos aliado do partido islamita AKP, do Presidente Erdogan, Gülen vive exilado no estado norte-americano da Pensilvânia desde 1999. Desde a tentativa de golpe, a Turquia tem acusado os EUA de conivência com o teólogo, exigindo a sua extradição imediata. A administração norte-americana continua a defender que só pode recambiar o líder do movimento de oposição para a Turquia com base em provas e não em suspeitas. Na quinta-feira, um tribunal de Istambul emitiu um mandado formal de captura contra Gülen, que continua a desmentir qualquer envolvimento no golpe.

Crê-se que estas são as primeiras detenções de cidadãos estrangeiros desde que o Governo turco deu início a uma limpeza de gulenistas e opositores no rescaldo do golpe falhado. Desde esse dia, cerca de 18 mil pessoas já foram detidas, na sua maioria membros das forças armadas e da polícia, sob acusações de participação na tentativa de derrubar Erdogan. Outras 70 mil pessoas foram suspensas ou demitidas dos seus cargos em vários setores da função pública, desde a Justiça a em universidades e escolas, passando pelas forças de segurança, hospitais e media.

A purga massiva de membros do “movimento terrorista gulenista”, como o Governo turco o classifica, está a ser duramente criticada pelos aliados ocidentais da Turquia, com o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, a avisar que a perseguição de opositores, as violações de direitos humanos documentadas pela Amnistia Internacional e pela Human Rights Watch e sobretudo os planos de restauração da pena de morte arriscam-se a pôr um fim abrupto ao processo de adesão do país à União Europeia.

Na conferência de imprensa ontem, Kurtulmus voltou a reforçar a ideia de que a maioria dos turcos apoia o Governo de Erdogan e as suas ações no rescaldo do golpe, sublinhando que cinco milhões de pessoas participaram no protesto de domingo em Istambul — mais um de uma série de manifestações de apoiantes do Presidente, no que o vice-primeiro-ministro diz ser uma clara demonstração de que o povo quer Gülen sentado no banco dos réus.

Sobre as exigências de extradição do islamita, Kurtulmus disse não ter “qualquer dúvida de que as autoridades dos EUA vão rever a sua posição”: “[Os norte-americanos] ou vão continuar a proteger três ou cinco bandidos ou vão agir de uma forma que lhes vai permitir conquistar os corações de uma nação de 79 milhões de pessoas.”