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Cuba culpa EUA pelo aumento de migrações “inseguras”

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DOUG COLLIER

Número de chegadas de cubanos ao solo norte-americano quase duplicou entre 2014 e este ano

Cuba divulgou um comunicado este domingo onde responsabiliza os Estados Unidos por "encorajar" a emigraçao insegura e ilegal de dezenas de milhares de cubanos nos últimos dois anos, numa tendência que viu quase duplicar o número de chegadas de ilhéus à costa oeste dos EUA entre 2014 e os primeiros sete meses deste ano.

No documento citado pela agência Reuters, Havana diz que os cubanos que arriscam perigosas travessias do estreito da Florida para gozarem do estatuto especial que lhes é concedido nos EUA são "vítimas da politização do tema da migração pelo Governo dos EUA, que estimula a imigração ilegal e insegura".

De acordo com um relatório divulgado pelo Centro Pew Research na passada sexta-feira, mais de 46.500 cubanos chegaram aos Estados Unidos e foram admitidos no país nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2016, entre outubro de 2015 e julho deste ano, em comparação com as 24 mil chegadas em 2014 e mais de 43 mil no ano passado.

Ao contrário de cidadãos de outros países, os cubanos que alcançam a fronteira dos EUA têm privilégios de entrada especiais sob o Cuban Adjustment Act, uma lei que foi implementada durante a Guerra Fria e que dá a esses cubanos benefícios especiais de segurança social e que lhes permite candidatarem-se a residência permanente nos EUA após 366 dias no país.

No comunicado, Cuba diz que essa legislação é contrária aos esforços de normalização das relações entre os dois países, depois de mais de 50 anos de divórcio diplomático desde a crise dos mísseis na década de 1960. Sob estas regras, os cubanos que alcançam o território norte-americano são tratados como imigrantes legais, ao contrário dos mexicanos e dos nacionais da maioria dos países que, à chegada, são para todos os efeitos considerados clandestinos.

A Al-Jazeera diz que existem receios generalizados entre os cubanos de que a restauração dos laços entre Havana e Washington vá ditar a perda destes privilégios de entrada, o que estará a alimentar o aumento exponencial de chegadas. Os governos regionais estão a reagir a esta vaga com o encerramento das suas fronteiras: em novembro do ano passado, a Nicarágua tornou-se o primeiro país da zona a encerrar as passagens terrestres aos cubanos, um exemplo seguido em abril deste ano pela Costa Rica. Neste momento, há quase 1300 cubanos presos na fronteira da Colômbia com o Panamá, em "condições miseráveis", após essa passagem ter sido igualmente encerrada.