Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Senador australiano diz que aquecimento global é “conspiração da ONU”

  • 333

Eleito para o Senado esta terça-feira pelo partido anti-imigração Uma Nação, Malcom Roberts defende há vários anos que existe uma cabala de banqueiros apoiados pela ONU e pelo comércio de carbono para dominarem o mundo

Um dos novos membros do Senado da Austrália, eleito esta semana pelo partido anti-imigração Uma Nação para representar o estado de Queensland, defende que o aquecimento global é uma conspiração criada pelas Nações Unidas (ONU) e por banqueiros que tem como objetivo último criar um Governo mundial.

Em declarações citadas pela BBC, Malcolm Roberts acusou o organismo de estar a usar as alterações climáticas para criar as fundações de um Governo global não-eleito, em linha com anteriores declarações públicas suas, nas quais defendeu sempre que existe uma cabala sombria de banqueiros que querem controlar todos os assuntos mundiais.

O Uma Nação, do qual Roberts faz parte, é liderado por Pauline Hanson, uma mulher que ganhou destaque na política australiana durante a década de 1990 pelas suas declarações controversas contra a imigração e as comunidades indígenas do país. Nas eleições federais da passada terça-feira, o partido alcançou quatro assentos no Senado, tornando-se na quarta força mais votada para a câmara alta do Congresso australiano.

Até esta sexta-feira, a BBC continuava sem obter resposta aos sucessivos pedidos de entrevista e comentários que enviou por email ao senador. O canal britânico aponta que, numa entrevista recente com a Australian Broadcasting Corp (ABC), Roberts teceu o mesmo tipo de acusações de conspiração, exigindo a abertura de um inquérito à Organização de Pesquisa Industrial e Científica da Commonwealth na Austrália pelo que diz ser a sua “gestão da ciência sobre as alterações climáticas”.

Quando questionado sobre se acredita que a ONU está a tentar impôr um governo mundial através das suas políticas de combate ao aquecimento global, uma pergunta em linha com declarações proferidas ao longo da entrevista, Roberts respondeu: “Definitivamente.”

Em 2013, o agora senador divulgou um relatório intitulado “CSRIOh!: Climate of Deception, Or First Step to Freedom?” onde apresentava os seus argumentos para rejeitar a versão comprovada cientificamente de que o aquecimento global é uma consequência das atividades humanas no planeta Terra.

“A grande defesa do IPCC da ONU sobre o CO2 [produzido pelos] humanos integra a Agenda 21 da ONU e a campanha pela governação global”, lê-se na introdução do relatório, ao qual anexou 135 páginas com detalhes sobre a sua crença na existência de uma cabala internacional de banqueiros.

Roberts diz que a Reserva Federal dos EUA e o Banco de Inglaterra são controlados por empresas privadas e que os seus detentores querem introduzir na economia mundial o comércio de carbono como forma de gerar dinheiro e alargar o seu controlo global. No mesmo documento, o senador eleito lista como referência principal Eustace Mullins, um teórico da conspiração que negou sempre que o Holocausto tenha acontecido, até à sua morte em 2010.