Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Obama avisa que perda de território pelo Daesh no Iraque e na Síria pode levar a mais ataques no estrangeiro

  • 333

JOSHUA ROBERTS/REUTERS

Presidente norte-americano diz que campanha de bombardeamentos da coligação internacional contra o grupo está a ser bem-sucedida mas que ameaça continua a ser real

Barack Obama disse na quinta-feira à noite que a coligação internacional liderada pelos EUA e que integra mais de uma dezena de nações árabes, criada para destronar o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) no Iraque e na Síria através de uma campanha de ataques aéreos, tem feito importantes ganhos contra os radicais.

Ainda assim, no mesmo briefing após uma reunião com altos cargos do Pentágono, o Presidente norte-americano avisou que o grupo ainda representa uma ameaça real e que, à medida que perde mais e mais território naquela região, aumentam os sinais de que está a reforçar planos de ataques no estrangeiro.

"A possibilidade de um lobo solitário ou de uma pequena célula que mata pessoas é real", declarou aos jornalistas, explicando que as redes do Daesh nos Estados Unidos poderão ser ativadas neste contexto.

Apesar dos avisos, Obama voltou a sublinhar que o Daesh "não é invencível", garantindo que o grupo "vai ser derrotado" e prevendo que está para breve a perda da sua autodeclarada capital na Síria, Raqqa, e de Mossul, o último bastião dos jiadistas no Iraque após terem perdido Fallujah em combates com o exército daquele país. Em parte porque, referiu ainda o líder dos EUA, o Daesh "não conseguiu levar a cabo uma única ofensiva de sucesso na Síria nem no Iraque no último ano inteiro".

Alertando contra os riscos das operações da coligação por via aérea, Obama sublinhou que a importante batalha contra o Daesh pode ser perdida se forem tomadas "decisões erradas", como a matança de civis, de que a coligação foi acusada recentemente, ou a imposição de "testes religiosos" a quem pretenda entrar nos EUA — ou noutros países do Ocidente.

"Esse tipo de estratégias pode acabar por virar-se contra nós, porque para que possamos vencer esta luta em última instância, não podemos enquadrá-la como uma guerra de civilizações entre o Ocidente e o Islão", referiu o Presidente norte-americano. "Isso vai precisamente de encontro ao que o Daesh quer e à sua perversa interpretação do Islão".

No que os media dizem ter sido avisos renovados contra a eleição de Donald Trump nas presidenciais de novembro, e apesar de nunca ter referido o seu nome, Obama lembrou que um dos principais objetivos do Daesh é levar o Ocidente a alienar toda a comunidade muçulmana, como o candidato republicano tem feito ao prometer bloquear a entrada a qualquer pessoa das 1,6 mil milhões que se identificam com o Islão em todo o mundo.

"A razão pela qual falamos em terrorismo e não numa guerra tradicional é o facto de estes serem inimigos fracos que não conseguem igualar o nosso poder convencional, mas que conseguem assustar-nos. Quando as sociedades ficam assustadas, eles podem reagir de formas que minam o tecido das nossas sociedades. Tornam-nos mais fracos e mais vulneráveis."