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Internacional

Investigadores podem vir a criar embriões de animais com células de humanos

GETTY

Em nome do tratamento de doenças como Alzheimer, esquizofrenia, infertilidade ou da criação de órgãos para transplante, os Estados Unidos ponderam autorizar o financiamento das polémicas experiências

O Instituto Nacional de Saúde (INS) dos Estados Unidos está a ponderar se levanta a proibição de um controversa investigação que prevê a incorporação de células estaminais em embriões de animais, que dariam a organismos híbridos humano-animais.

Há um ano, o governo federal baniu o financiamento a esse tipo de experiências pelas questões éticas que levanta, mas essa posição poderá estar prestes a ser revertida em nome de avanço no tratamento de doenças como Alzheimer, esquizofrenia, infertilidade ou da criação de órgãos para transplante.

Os críticos alegam que a criação de organismos híbridos levantará complexas e inéditas questões morais. Um dos projetos prevê “uma substancial alteração funcional no cérebro animal através de células humanas”.

A proposta em estudo aplicar-se-ia à generalidade dos animais, exceto a primatas não humanos como chimpanzés e macacos.

O INS criou um comité de especialistas que está a analisar o assunto e que deverá se pronunciar publicamente dentro de cerca de um mês.

“Eu estou confiante de que as alterações propostas vão permitir à comunidade de investigação do INS avançar de um modo responsável para esta promissora área para a ciência ”, escreve Carrie Wolinetz, diretora associada do INS para a política científica, numa nota deixada no seu blogue, em que realça o grande potencial deste tipo de investigações.

“Vamos encarar a hipótese de que temos porcos com cérebros humanos e eles estão a pensar sobre o porquê de nós estarmos a desenvolver experiências com eles”, comenta por seu turno Stuart Newman, investigador do Colégio Médico de Nova Iorque, em declarações à agência France Presse. “E depois, se tivermos corpos humanos com cérebros animais, e então diríamos, ‘bem eles não são bem humanos, nós podemos fazer experiências com eles e retirar-lhes órgãos”, acrescentou.

Robert Klitzman, diretor da programa de mestrados em Bioética da Universidade de Columbia, frisa que a alteração poderá representar “um grande passo na direção certa”, com “tremendo potencial para ajudar milhões de pessoas com diversas doenças”. “Se quisermos investigar a esquizofrenia e depressão, não podemos fazer de imediato investigações nas células dos cérebros de humanos com estas doenças porque não podemos abrir-lhes o cérebro enquanto eles estão vivos”, refere. Ao mesmo tempo, adverte para a necessidade de se ser cauteloso com as células humanas de cérebro. “O que nós não queremos é um rato ou um chimpanzé que, de repente, tem qualidades semelhantes às humanos, porque moralmente isso cria uma série de problemas”, conclui.