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Trump divide cada vez mais o Partido Republicano

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JIM LO SCALZO / EPA

Enquanto o candidato à Casa Branca assegura que "há grande união" em torno da sua campanha, a elite republicana afasta-se do seu comportamento e ameaça dividir-se no apoio à corrida presidencial

Donald Trump insistiu ontem na ideia de que existe “grande união” à volta da sua campanha, mas a verdade é que parte do Partido Republicano está a virar-se contra o seu candidato. Essa aparência de unidade não foi mais longe do que o discurso de Trump na convenção de Cleveland, há duas semanas, tendo vindo a desfazer-se deste então.

E não foi só o “insulto” do magnata nova-iorquino aos pais do soldado muçulmano morto em combate no Iraque que desencadeou a onda de protestos dentro do partido. O seu comportamento é tido como “abusivo”. Muitos são já os que se demarcam e Trump não tem parado de disparar em todos os sentidos.

Esta terça-feira, numa entrevista ao diário “The Washington Post”, o empresário recusou apoio aos conservadores Paul Ryan (líder da Câmara dos Representantes) e John McCain (senador histórico e ex-candidato presidencial, além de herói da guerra do Vietname a quem Trump declarou não reconhecer méritos, por se ter deixado prender pelo inimigo) nas eleições primárias nos estados de Wisnconsin e Arizona. Este gesto provocou o afastamento do seu projeto eleitoral de uma parte da elite republicana.

Segundo fontes citadas pela agência Reuters, o presidente do Comité Nacional Republicano, Reince Priebus, “está furioso com o desplante” de Trump e diz sentir-se um idiota por ter apoiado o candidato na convenção de Cleveland. E até Mike Pence, o candidato a vice-presidente escolhido por Trump, se demarcou do candidato: na cadeia de televisão Fox, afirmou o seu apoio a Ryan, depois de ter sarado as feridas da polémica com a família do soldado morto no Iraque.

Catadupa de dissidências

Já na noite de quarta-feira, Meg Whitman, presidente da Hewlett-Packard, uma das mulheres executivas mais importantes do mundo, e republicana muito influente, afirmou que votaria em Hillary Clinton. O candidato republicano, disse, “poria em perigo a estabilidade e a segurança do país”. “O seu caráter autoritário pressupõe uma ameaça”, rematou na sua conta do Facebook.

Meg Whitman juntava-se assim à voz de Richard Hanna, o congressista republicano por Nova Iorque, que já afirmara publicamente que votará em Hillary Clinton. Adam Kinzinger, congressista pelo Illinois, não foi tão longe mas assegura que Trump não terá o seu voto.

Segundo a agência Associated Press, que cita fonte oficial do Partido Republicano, é possível que um grupo de conservadores respeitáveis confrotem Trump nos próximos dias. O plano ainda não está totalmente delineado, mas, diz a mesma fonte, o grupo pode incluir Reince Priebus, Newt Gingrich, antigo porta-voz do partido, e o ex-mayor de Nova Iorque Rudy Giuliani.