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Pelo menos 189 pessoas morreram no Japão em 2015 por excesso de trabalho

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Trabalham quase sem parar e acabam por morrer na sequência de ataques cardíacos ou devido a suicídios

GETTY

O problema tem tal amplitude no Japão que até já tem direito a designação específica: “Karoshi” é o termo utilizado para as mortes por excesso de trabalho. Independentemente da causa direta ser ataque cardíaco ou suicídio, uma vez que seja confirmado tratar-se de um caso de Karoshi, os famíliares do falecido têm direito a uma indemnização.

No ano passado houve 189 casos confirmadas, mas os especialistas estimam que o número real ande na ordem dos milhares, segundo dados avançados num artigo do “The Washington Post” sobre o assunto. Só nos primeiros três meses deste ano já tinham sido apresentados para avaliação 2310 casos de mortes eventualmente devidas a Karoshi.

As longas horas extraordinárias, efetuadas de modo voluntário e sem direito a remuneração extra, fazem parte da cultura de trabalho dominante no Japão (ao ponto de quem não o fizer sentir que facilmente ficará numa posição de ser questionado o seu empenho profissional), assim como o hábito de os trabalhadores não gozarem do período de férias a que têm direito.

O problema está longe de ser novo naquele país mas tem vindo a agravar-se, levando a que há 18 meses tenha sido aprovada legislação para o combater. Foram estipuladas metas de diminuição do número de pessoas que trabalham mais de 60 horas semanais para 5% em 2020 (atualmente são cerca de 8% a 9%). Relativamente às férias, poucos são os que atualmente chegam a gozar sequer metade dos 20 dias a que têm direito. O objetivo é levá-los a gozarem pelo menos 70% desse tempo.