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Comandante de militar muçulmano morto no Iraque critica Trump: “Qualquer ataque à família de Khan é desprezível”

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Mark Wilson/GETTY

Major-general na reserva, que comandou o capitão Humayun Khan morto há 12 anos no Iraque, defende que os EUA precisam de um líder “constante, paciente e compreensivo”

Depois de 34 anos ao serviço dos EUA, o major-general que comandou a brigada do Exército norte-americano no Iraque onde se encontrava o capitão Humayun Khan, morto em 2004 em combate, recorda o militar como um homem “querido” e “respeitado por todos.”

Num artigo de opinião publicado esta quarta-feira no “Washington Post”, o oficial na reserva ataca duramente Donald Trump – sem nunca referir o nome do candidato presidencial dos republicanos – sobre as suas recentes declarações relativas aos pais do militar. “Eu junto-me a todos aqueles que apoiam a família Khan. Esta família é a nossa família e qualquer ataque a estas pessoas que perderam um filho em combate é um ataque a todos os americanos patrióticos e leais que se sacrificaram para tornar grande o nosso país”, escreve o major-general.

“Qualquer ataque motivado por questões políticas ou raciais é desprezível e não é digno de um americano”, insiste.

Lembrando que para os militares o dever está sempre acima de tudo, o oficial na reserva sublinha que Humayun Khan foi um dos 37 militares norte-americanos daquela brigada que morreram em 2004 no Iraque. “Acima de tudo, o nosso país precisa de mais homens e mulheres como Humayun Khan e os inúmeros outros que de bom grado e humildemente servem esta nossa grande nação sem reservas ou reconhecimento”.

“Os nossos companheiros mortos eram de todas as raças, religiões e sexos. Eles representavam o sacrifício, serviço, dever e a essência do que torna o nosso um grande país. E, sim, é um grande país nesta altura. Apesar de nossas falhas, os EUA continuam a ser um farol de esperança em todo mundo”, sustenta.

EUA precisam de estabilidade

O antigo comandante do militar muçulmano garante que fez sempre questão de se afastar da política, mas que a sua família é republicana – o partido pelo qual Trump se candidata à Casa Branca – desde os tempos dos seus avós maternos. E no atual contexto, salienta o major-geral, não há dúvidas de que os EUA necessitam de estabilidade.

“Nós vivemos num mundo complexo e perigoso. Precisamos de líderes que sejam constantes, pacientes e compreensivos, especialmente a nível nacional, durante este tempo conturbado. Precisamos de alguém que respeite estas famílias”, conclui.

Foi na sexta-feira passada que começou a nova polémica com Donald Trump, após um discurso emotivo do pai de Humayun Khan durante a convenção democrata em Filadélfia. Khizr Khan, que emigrou há quatro décadas para os EUA, pediu para o candidato republicano à Casa Branca para ver as campas de “bravos patriotas que morreram a defender a América” e que incluíam muçulmanos como o seu filho, que perdeu a vida aos 27 anos.

Em resposta, Trump, que defende a proibição temporária de entrada de muçulmanos no país, criticou o discurso de Khizr Khan, acusando a mulher deste de ter um papel subalterno ao lado do marido, no palco da convenção democrata, sem expressar uma única palavra.

Noutro artigo publicado também no “Washington Post”, Ghazala Khan, a mãe de Humayun Khan, resolveu quebrar o silêncio, questionando Trump sobre se sabia qual era a “dor de perder um filho” , acusando ainda o candidato à Casa Branca de “ignorância” relativamente ao Islão.

As declarações de Trump caíram mal no seio do Partido Republicano, levando a críticas por parte de alguns membros que fizeram aumentar a divisão interna.