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Casa Branca desmente ter pagado pela libertação de norte-americanos presos no Irão

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FOTO JOE KLAMAR/REUTERS

Donald Trump acusa Hillary Clinton de ter sido ela a “iniciar conversações para dar 400 milhões de dólares em dinheiro ao Irão”. Casa Branca diz que republicanos estão à procura de motivos para “justificar a sua oposição” ao acordo histórico com o regime iraniano

A administração Obama desmentiu esta quarta-feira o alegado pagamento de milhões de dólares ao Irão em troca da libertação de cinco norte-americanos detidos no país, que em janeiro deste ano foram trocados por sete cidadãos iranianos que estavam detidos nos EUA por violarem as sanções internacionais impostas ao regime dos aiatolas.

A troca aconteceu na sequência do levantamento dessas sanções, como parte do histórico acordo nuclear alcançado, em julho do ano passado, pelo Presidente Hassan Rouhani e o chamado P5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – China, EUA, França, Reino Unido e Rússia – mais a Alemanha).

Como parte desse acordo, os EUA enviaram a Teerão 400 milhões de dólares (357 milhões de euros) em dinheiro vivo por alturas da libertação dos prisioneiros. Avança o "Wall Street Journal" que as autoridades norte-americanas fizeram chegar à capital iraniana esse valor em euros, francos suíços e outras divisas num avião de carga não-marcado, sugerindo que o dinheiro serviu para pagar a libertação dos cinco norte-americanos, entre eles o jornalista do "Washington Post" Jason Rezaian.

Justificação

Em conferência de imprensa reslizada esta quarta-feira, o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest explicou que o pagamento serviu, em vez disso, para enterrar uma longa disputa entre os países que começara antes da Revolução Islâmica de 1979, acusando os republicanos que se opõem ao acordo diplomático alcançado há um ano de usarem o pagamento em questão para tentarem minar o histórico passo. "Eles estão a batalhar para justificarem a sua oposição ao nosso compromisso com o Irão", disse no briefing da Casa Branca.

Quando Teerão e as seis grandes potências mundiais decidiram suspender as sanções contra personalidades e empresas do regime como parte da implementação do acordo, os governos do Irão e dos EUA alcançaram, paralelamente, um outro acordo para resolverem uma série de disputas de há décadas.

Assim explicou Earnest numa conferência de imprensa a 19 de janeiro deste ano, quando os acordos foram alcançados, entre eles o tal pagamento de 400 milhões de dólares como "resultado de um longo processo de reivindicações a decorrer em Haia" relativo à compra de equipamento militar aos EUA pelo governo iraniano de Mohammed Reza Palavi antes da sua deposição em 1979. Dado que as instituições financeiras do Irão ainda estavam completamente vedadas ao sistema global bancário na altura do pagamento, avançou o porta-voz, o pagamento teve de ser feito em dinheiro e como as sanções ainda estavam em vigor, não podia ser feito em dólares, o que explica o uso de outras divisas.

Críticas e acusações

No rescaldo da notícia do "Wall Street Journal" sobre este pagamento, o candidato republicano à presidência Donald Trump renovou ataques à rival democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, acusando-a no Twitter de ter sido ela a organizar o pagamento – isto apesar de estes acordos com o Irão terem sido negociados pelo seu sucessor, John Kerry, e alcançados entre 2015 e o início deste ano, quase três anos depois de Clinton ter abandonado o cargo.

O porta-voz do Comité Nacional Republicano também lançou ataques à oposição, dizendo em comunicado que "a política de negócios estrangeiros Obama-Clinton não só significou alcançar um perigoso acordo nuclear com o estado número um dos que patrocinam o terrorismo, mas também se traduziu no pagamento de um resgate secreto num avião de carregado de dinheiro".

Em resposta a isto, o porta-voz do Departamento de Estado John Kirby desmentiu totalmente as ligações sugeridas entre os vários passos do acordo. "Tal como deixámos claro, as negociações sobre a resolução do caso no Tribunal de Haia são completamente distintas das discussões sobre a devolução a casa dos nossos cidadãos americanos. Não só as duas negociações decorreram em separado, como foram conduzidas por diferentes equipas de ambos os lados, incluindo, no caso das alegações em Haia, por especialistas técnicos envolvidos nestas negociações há vários anos."