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Furacão Trump: guerra aberta no Partido Republicano

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John Moore/GETTY

Donald Trump anunciou que não vai apoiar o presidente da Câmara dos Representantes e o senador McCain, depois de ambos terem criticado duramente as declarações do candidato republicano sobre os pais de um militar muçulmano morto em combate no Iraque

Nos EUA cresce a tensão entre os republicanos. Num partido já dividido quanto ao controverso candidato à Casa Branca, Donald Trump veio reacender esta terça-feira a polémica ao declarar que não iria apoiar Paul Ryan na campanha para a reeleição no Congresso, nem a candidatura do senador John McCain no Arizona.

Em entrevista ao “Washington Post”, Trump defendeu que não pode apoiar os dois membros do Partido Republicano, uma vez que ambos vão enfrentar provas nos seus estados antes da eleição Presidencial. Ryan será alvo de votação nas primárias na próxima terça-feira em Wisconsin, enquanto McCain enfrentará eleições também este mês no Arizona.

“Eu gosto de Ryan, mas estes são tempos terríveis para o nosso país. Precisamos de uma liderança forte”, disse Trump, acrescentando que o rival de Ryan, Paul Nehlen está a ser muito bem sucedido na sua campanha.

Ainda este domingo, o presidente da Câmara dos Representantes reafirmou que se opõe à proibição temporária de entrarem muçulmanos nos EUA, como propõe Trump. Também McCain já criticou essa medida.

Críticas às declarações sobre pais de soldado muçulmano

Apesar dos argumentos invocados, o certo é que Trump anunciou que não iria apoiar o Presidente da Câmara dos Representantes e o senador McCain, depois de ambos tecerem duras críticasàs declarações do candidato republicano sobre os pais de um militar muçulmano morto em combate no Iraque, em 2004.

McCain considerou que Trump não tem o direito de difamar constantemente as pessoas, “muito menos os melhores que estão entre nós”. “Eu queria dizer ao senhor e à senhora Khan: obrigado por terem imigrado para os EUA. Somos um país melhor graças a pessoas como vocês. E têm razão, vosso filho era o que os EUA têm de melhor e a memória de seu sacrifício fará de nós uma nação melhor. Ele jamais será esquecido”, declarou o senador citado pela Reuters.

Também Obama condenou esta terça-feira as palavras do candidato republicano à Casa Branca, sustentando que não terá capacidades para servir o país. “Atacar tacar uma família que fez sacrifícios tão extraordinários em nome do nosso país e de não parecer não ter os conhecimentos básicos relativamente a assuntos críticos na Europa, no Médio Oriente, na Ásia, significa que ele está não de longe preparado para o cargo”, afirmou o Presidente norte-americano numa conferência de imprensa em Singapura.

“Chega-se a um ponto em que é preciso dizer basta”, advertiu Obama aos republicanos.

O conhecido investidor e bilionário Warren Buffett também questionou ontem o apoio dos republicanos a Trump e a sua candidatura. “Não tem o menor sentido de decência?”, perguntou Buffett durante um comício no estado do Nebrasca de apoio a Hillary Clinton.

Entretanto, as sondagens mais recentes dão maior vantagem a Hillary Clinton. De acordo com um inquérito da Reuters/Ipsos, divulgado esta terça-feira, a candidata democrata surge 8 pontos à frente de Trump nas intenções de voto.