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Vírus Zika já vive nos mosquitos de Miami

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Conselhos às grávidas sobre como lidar com a ameaça do Zika, no aeroporto de Miami

© Carlo Allegri / Reuters

Na Florida, as autoridades multiplicam dicas à população, sobretudo às mulheres grávidas, sobre como evitar picadas de mosquito. O vírus Zika foi detetado em mosquitos locais e já há 14 pessoas infetadas

As autoridades norte-americanas do sector da Saúde emitiram um alerta destinado sobretudo às grávidas em trânsito por Miami, motivado por receios relativos ao vírus Zika detetado num bairro da cidade. A área, conhecida como Wynwood, fica na parte norte da Miami e é bastante popular pelos seus restaurantes e mostras artísticas.

“Aconselhamos as mulheres grávidas a evitarem esta área”, afirmou Tom Frieden, chefe do Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças dos Estados Unidos. As mulheres que vivem na área ou por lá passaram desde 15 de junho são advertidas a irem ao médico.

Segundo Frieden, é possível que os mosquitos sejam resistentes aos inseticidas que estão a ser usados e também que haja áreas de reprodução ainda não detetadas. “As medidas de controlo deste mosquito agressivo não parecem estar a resultar”, admitiu.

Entre os conselhos dados pelas autoridades à população, e às grávidas em particular, para evitar as picadas de mosquito estão o uso de repelentes, a colocação de telas nas janelas, a drenagem de águas acumuladas nas casas e o uso de calças e roupa de manga comprida.

Na sexta-feira passada, as autoridades estaduais da Florida anunciaram o primeiro caso de Zika transmitido por mosquitos locais, registado na área de Miami. Na segunda-feira, o governador Rick Scott disse que há 14 casos identificados, dois deles mulheres e seis identificados durante avaliações realizadas porta a porta.

“Residentes e visitantes devem secar águas estagnadas e usar repelentes de insetos, mas a Florida está segura e a funcionar normalmente”, escreveu o governador, em língua espanhola, na sua conta do Twitter, dirigindo-se especificamente à comunidade hispânica da Florida.

“As autoridades estão preocupadas com a saúde das pessoas, mas também com o impacto no turismo da Florida”, relata o correspondente da Al-Jazeera Andy Gallacher. “É a indústria número um aqui.”

Nos Estados Unidos, onde já foram registados mais de 1600 casos de Zika — a maioria em pessoas infetadas no estrangeiro —, o território norte-americano de Porto Rico é o grande foco de preocupação, com pelos menos 5582 casos (incluindo 672 grávidas) e 77 dos 78 municípios atingidos.

Segundo um relatório da Organização Mundial de Saúde, 67 países e territórios já reportaram casos de transmissão do Zika. O Brasil é o caso mais grave com pelo menos 1749 casos de microcefalias e/ou malformações em bebés, associadas ao Zika.

  • Licenciada em Relações Internacionais pela Universidade Lusíada do Porto, é jornalista na editoria Internacional do Expresso desde 2000. Acompanha com especial interesse a atualidade noticiosa no Médio Oriente e Norte de África. Fez reportagens na Palestina, Irão, Egito e Afeganistão.