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Oposição venezuelana completa primeiro passo para tentar revogar presidência de Maduro

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CARLOS GARCIA RAWLINS / REUTERS

Conselho Eleitoral diz que opositores do presidente conseguiram obter 200 mil assinaturas válidas pelo fim precoce do atual mandato. Próximo passo passa por angariar quatro milhões de assinaturas em apenas três dias para avançar com referendo à presidência

A comissão nacional eleitoral da Venezuela anunciou esta terça-feira que aprova o primeiro passo da oposição na sua campanha oficial para revogar a presidência de Nicolás Maduro, em plena crise política e energética em parte causada pela contínua queda do preço do petróleo.

De acordo com o organismo eleitoral, a oposição conseguiu mais do dobro do mínimo de 1% de assinaturas necessárias nos 24 estados que compõem a Venezuela — o correspondente a 408 mil assinaturas — contra o atual Presidente, que sucedeu a Hugo Chávez em abril de 2013 e cujo mandato decorre oficialmente até ao início de 2019.

Este era o primeiro passo que a oposição tinha de completar para conseguir organizar um referendo que force Maduro a abandonar a presidência de imediato, dando força às acusações de má gestão económica que lhe são tecidas.

A líder da comissão eleitoral, Tibisay Lucena, já disse que vai avaliar as acusações de que os opositores de Maduro e do seu Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) forjaram mais de mil assinaturas. "A autoridade eleitoral vai pedir à procuradoria que investigue", disse a responsável, com a ressalva de que, ainda assim, 98% das 408 mil assinaturas já foram validadas.

As mais recentes sondagens mostram que, se Maduro for alvo de um referendo de revogação de mandato este ano, vai perder, potenciando eleições antecipadas que poderão pôr fim aos 17 anos de poderio socialista. Pelo contrário, se o referendo só acontecer no próximo ano, explica a BBC, Maduro irá ser substituído pelo seu vice-presidente, garantindo que o PSUV continua no poder até às próximas eleições presidenciais, previstas para 2018.

O próximo passo do longo processo de revogação do mandato presidencial passa por recolher em apenas três dias as assinaturas de 20% da população, quase quatro milhões, numa petição que conduza ao referendo almejado. Ainda não há data marcada para esta fase.

Para afastar Maduro da presidência, é preciso que o mesmo número ou um número superior de eleitores que o puseram no poder — 7.587.579 nas eleições de 2013 — votem a favor da revogação do seu mandato na eventual consulta popular.