Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Irão suspende provas de acesso a cargos públicos para analisar acusações de discriminação

  • 333

Rouhani nomeou Masoumeh Ebtekar para dirigir o Ministério do Ambiente

STEPHANE DE SAKUTIN

Presidente reformista Hassan Rouhani já ordenou inquérito às ofertas de três mil postos de trabalho em vários sectores da função pública que, na sua maioria, são dirigidas a homens

O Presidente do Irão adiou os exames anuais de acesso a cargos públicos por causa de acusações de discriminação de género, ordenando uma revisão dos três mil postos de trabalho em disputa. Em alguns departamentos, como a Organização Judiciária das Forças Militares, que é controlada pelos conservadores, os cargos a concurso estão abertos quase exclusivamente a homens.

Seguindo a linha reformista que tem marcado o seu mandato desde que assumiu o poder em 2013, Hassan Rouhani decidiu validar as queixas de organizações da sociedade civil, que continuam a alertar para a discriminação de género na sociedade iraniana.

Quando foi eleito, Rouhani nomeou várias mulheres para cargos de elevada importância, escolhendo Masoumeh Ebtekar para ministra do Ambiente e Marzieh Afkham para porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros — um cargo que ocupou até ao ano passado, altura em que foi nomeada embaixadora do Irão na Malásia, tornando-se na primeira mulher a liderar uma representação diplomática do país.

No rescaldo das eleições legislativas de fevereiro e março, que reverteram a maioria conservadora e deram mais espaço a moderados e reformistas, Rouhani aplaudiu o número recorde de mulheres que alcançaram assentos parlamentares. Mas várias organizações da sociedade civil dizem que a luta pela igualdade de género no país está longe do fim, a começar pelo acesso ao mercado de trabalho.

Desde a Revolução Islâmica de 1979, que marcou o início de uma nova era de discriminação no Irão, as mulheres têm alcançado importantes vitórias na Educação, representando atualmente 60% do total de licenciados, mas a sua presença no mercado laboral continua reduzida e limitada.

De acordo com os dados mais recentes da Organização Nacional Iraniana de Estatísticas, citados pela BBC, apenas 12,4% das iranianas tinham emprego em 2013. Mulheres mais jovens têm cinco vezes mais probabilidades de estarem desempregadas do que os homens da mesma idade e duas vezes mais mulheres do que homens perderam os seus empregos na sequência das sanções internacionais ao país por causa do seu programa nuclear e do impacto dessas medidas na economia iraniana.

A discriminação das mulheres no Irão vai muito para lá do mercado laboral. Nas últimas semanas, uma campanha da sociedade civil ganhou destaque mediático internacional, com centenas de homens a usarem o hijab em solidariedade com as suas conterrâneas, que são obrigadas a cobrir o cabelo quando saem à rua.

A par da maior inclusão de mulheres nas diversas esferas de influência da sociedade iraniana, o mandato de Rouhani foi marcado pelo histórico acordo nuclear que firmou com a administração de Barack Obama e a ONU em setembro. O cargo que ocupa atualmente estará em disputa nas eleições convocadas para maio do próximo ano.