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Internacional

França promete continuar a encerrar mesquitas

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MEHDI FEDOUACH

Ministério do Interior anunciou que 20 mesquitas e locais de oração dos muçulmanos já foram fechadas desde dezembro e que 80 imãs já foram expulsos do território francês desde 2012 por “discursos contrários aos valores da república”

Desde o final do ano passado, o Governo francês já ordenou o encerramento de duas dezenas de mesquitas “radicais”, tendo expulsado, desde 2012, 80 imãs classificados da mesma forma sob acusações de “discursos contrários aos valores da república francesa”, anunciou o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve.

Depois de um encontro com o Conselho Muçulmano Francês (CFCM) ontem à tarde, o ministro de François Hollande responsável pela pasta da Administração Interna explicou que, até outubro, deverá estar finalizado um novo quadro institucional para o culto muçulmano dentro da república — uma medida alcançada em diálogo com o CFCM e que deverá levar à criação de uma “fundação” para “garantir a transparência” no financiamento de mesquitas no país.

“Não há lugar em França para os que apelam ao ódio”, disse o ministro à imprensa após um encontro com responsáveis do CFCM para discutir formas de luta contra o terrorismo depois dos últimos atentados em França. “Fechámos duas dezenas de mesquitas e espaços de oração e vamos fechar outros, tendo em conta as informações de que dispomos.”

A relação da sociedade francesa e das autoridades com a segunda maior religião do país voltou a ganhar protagonismo no espaço de debate público, após dois alegados militantes do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) terem degolado um padre durante uma missa numa igreja da Normandia na semana passada. Antes das declarações de Cazeneuve ontem à tarde, milhares de muçulmanos franceses assitiram a missas católicas em homenagem ao padre assassinado e em defesa do diálogo e respeito interreligioso.

No rescaldo do ataque na igreja da Normandia, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, já tinha anunciado a sua intenção de proibir temporariamente todo o financimento estrangeiro para a construção de mesquitas, sob o argumento de evitar qualquer possível vínculo de subordinação dos muçulmanos franceses a países terceiros como a Arábia Saudita, cuja corrente maioritária do Islão, o wahabismo, é tida como a raiz do sunismo violento e radical defendido pelo Daesh.

Cerca de 20% do total de fundos recebidos pelas mesquitas do país da União Europeia com mais muçulmanos vem de Marrocos, da Argélia e de países do Golfo. Em 2005, já tinha sido criada uma fundação semelhante à que Cazeneuve anunciou ontem para o final deste ano. Tinha como objetivo primeiro controlar os fundos destinados aos locais de culto dos muçulmanos, mas nunca chegou a ser aplicada por causa de divisões internas quanto a essa e outras medidas.