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Diários de Himmler revelam contraste entre o homem de família e o monstro

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Por um lado era “muito cuidadoso com a mulher e a filha”, por outro era “o homem do horror”, que planeou o holocausto, comenta um jornalista do tabloide alemão “Bild”, a propósito da publicação dos diários de Henrich Himmler

Num dos excertos dos diários de Henrich Himmler que estão a ser publicados pelo tabloide alemão Bild”, o chefe das SS escreve que recebeu uma massagem antes de ordenar a execução de 10 polacos.

Os diários relativos aos anos 1938, 1943 e 1944 foram descobertos nos arquivos do Ministério da Defesa Russo em Podolsk, cidade a sul de Moscovo, e estão a ser estudados pelo Instituto Histórico Germânico em Moscovo, permitindo conhecer novos dados relativamente ao homem que esteve por detrás do massacre de pelo menos seis milhões de pessoas.

Outra anotação, dá conta das suas indicações às SS para treinarem cães capazes de “destroçar pessoas” no campo de concentração de Auschwitz. Paralelamente, há também registo das comunicações telefónicas com a mulher e a filha.

“A coisa mais interessante para mim foi essa combinação” - refere Damian Imoehl, jornalista do “Bild” - “ele era extremamente cuidadoso com a sua mulher e filha, assim como relativamente ao caso que mantinha com a secretária. Ele toma conta dos seus camaradas e amigos”. Por outro lado, acrescenta o jornalista em declarações ao “Times”, “havia o homem do horror. Um dia ele começa por tomar o pequeno almoço e receber uma massagem de uma médico pessoal, depois telefona à sua mulher e filha que se encontravam no sul da Alemanha, e em seguida ele decide mandar matar dez homens ou visitar um campo de concentração”.

Historiadores já haviam anteriormente examinado os seus diários relativos aos anos 1941, 1942 e 1945, mas só recentemente foi descoberto o paradeiro dos outros volumes, que serão publicados em livro no próximo ano, com dados de enquadramento.

Himmler fazia parte do ciclo mais restrito de colaboradores de Hitler, tendo comandado os esquadrões da morte que assassinaram judeus, polacos, prisioneiros soviéticos, ciganos, homossexuais, assim como outros classificados como de uma “raça inferior”.