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Presidente da Venezuela exige que empresas cedam funcionários para trabalharem no campo

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JUAN BARRETO/GETTY IMAGES

Decreto-lei aprovado pelo executivo venezuelano abrange empresas públicas e privadas. Amnistia Internacional já condenou a medida, frisando que se trata de “trabalho forçado”

Depois de o governo venezuelano ter decretado que a semana de trabalho seria reduzida a dois dias para poupar energia, o executivo de Nicolas Maduro ordenou agora que todas empresas cedam funcionários para trabalharem na indústria agroalimentar.

Esta medida – que consta de um decreto-lei publicado esta segunda-feira – abrange tanto empresas públicas como privadas e terá uma duração de pelo menos dois meses, com vista a responder à escassez de bens essenciais numa altura em que milhares de venezuelanos enfrentam dificuldades.

Inserida no estado de exceção e emergência económica na Venezuela, a nova lei prevê que em caso de necessidade os trabalhadores possam continuar emprestados ao Estado por mais 60 dias.

O governo coloca apenas como exigência que os funcionários tenham as “condições físicas e técnicas” para exercer as funções no sector. Além da distribuição de alimentos, as Forças Armadas ficarão também encarregadas de supervisionar as empresas e os trabalhadores que irão trabalhar para o Estado.

A Amnistia Internacional já condenou a medida, frisando que se trata de “trabalho forçado” e não resolverá a escassez alimentar, conta o “El País”.

Escolas abertas nas férias

Embora seja período de férias, algumas escolas anunciaram esta segunda-feira que vão estar abertas durante o mês de agosto de forma a combater a desnutrição em muitas crianças, segundo o “El Nacional”. É o caso dos estabelecimentos escolares do município de Sucre, no Estado de Miranda, onde vários docentes, pais e funcionários já se disponibilizaram a ajudar.

Entretanto, o Papa Francisco disse acreditar que será útil que o Vaticano assuma um lugar na mediação do diálogo na Venezuela.

Em plena crise económica e social, agravada pelo impacto da queda do preço do petróleo, as perspetivas da Venezuela não são nada animadoras. Segundo o FMI, o PIB do país deverá cair 8% este ano e 4,5% no próximo, enquanto o desemprego deverá disparar para 17% este ano e para 20% em 2017.