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Oposição alemã quer garantir cidadania aos britânicos no pós-Brexit

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Adam Berry/Getty

Partido Os Verdes pediu à chancelaria de Angela Merkel que reduza período mínimo que um candidato tem de viver no país para obter nacionalidade

O partido alemão Os Verdes pediu este fim desemana ao Governo de Angela Merkel que adote medidas para facilitar a obtenção de cidadania aos britânicos que vivem no país, num esforço para lhes dar “claras garantias” de que podem permanecer ali após o Reino Unido abandonar a União Europeia.

Numa carta enviada à chancelaria, Os Verdes pedem que seja reduzido o período mínimo de tempo que um candidato tem de viver na Alemanha para se tornar elegível. Atualmente, qualquer cidadão europeu não-alemão tem de ter vivido no país pelo menos oito anos para obter nacionalidade, seis no caso de pessoas que tenham feito “contribuições especiais para a vida alemã" e três para quem é casado com um nacional.

“À luz do Brexit [os britânicos] precisam de uma clara perspetiva de que podem ficar na Alemanha”, defende Katrin Göring-Eckardt, líder do grupo parlamentar do partido da oposição, que assina o pedido feito a Merkel, sob o argumento de que é preciso ter em conta as necessidades dos cerca de 1,2 milhões de britânicos que vivem e trabalham dentro da União Europeia, em particular os mais de 100 mil que estão instalados na Alemanha.

“Há mais de 107 mil britânicos bem integrados com as suas famílias na Alemanha, desde investigadores a estudantes, passando pelos empresários”, explicou este domingo a deputada. “Peço ao governo federal que simplique os procedimentos de imigração para os britânicos em antecipação ao Brexit.”

A chanceler alemã respondeu que não vai, para já, avançar se pretende ou não assumir uma postura mais generosa para com os cidadãos do Reino Unido que querem obter dupla nacionalidade. Segundo o “The Guardian”, o gabinete de Merkel deixou a possibilidade em aberto ao dizer que as decisões poderão ser tomadas caso a caso, mas sempre sob o pelouro de cada um dos 16 estados alemães.

Até 31 de maio, havia 107.074 britânicos a viver na Alemanha, a maioria dos quais em idade ativa e integrados no mercado de trabalho, com as autoridades em todo o país a registarem um aumento no número de candidaturas à cidadania alemã desde o referendo de 23 de junho. “Estamos a reparar que muita gente está empenhada em aproveitar esta oportunidade”, diz um funcionário do departamento de cidadania de Potsdam sob anonimato.

Ainda sem se saber quando é que o Governo britânico de Theresa May vai ativar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, o único mecanismo existente nos doumentos-base da UE para a saída inédita de um Estado-membro, os cidadãos do Reino Unido que vivem e trabalham noutros países estão a acelerar os pedidos de dupla nacionalidade na Alemanha e noutras nações do bloco europeu.

Considerando que o artigo 50 prevê a conclusão do processo de saída num prazo máximo de dois anos, os britânicos interessados em manter a sua nacionalidade original têm até 2018 para completar o processo de pedido de cidadania na Alemanha. Depois disso, os que já tiverem dupla nacionalidade vão mantê-la, mas todos os outros terão de abdicar da nacionalidade britânica para obterem cidadania alemã à luz do facto de o seu país já não pertencer ao bloco por essa altura, aponta a chancelaria.