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Dezenas de milhares de turcos marcham em Colónia a favor de Erdogan

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Sascha Steinbach

Presidente turco tinha planeado dirigir-se à multidão de apoiantes pela internet mas Tribunal Constitucional da Alemanha proibiu transmissão do discurso em praça pública

Pelo menos 35 mil turcos manifestaram-se no domingo na cidade de Colónia, na Alemanha, numa demonstração de apoio ao Presidente Recep Tayyip Erdogan. O líder turco, alvo de uma tentativa falhada de golpe há duas semanas, tinha planeado falar aos manifestantes em direto via internet durante o protesto, mas no sábado o Tribunal Constitucional da Alemanha proibiu a transmissão pública desse discurso, aumentando as tensões diplomáticas entre os dois países.

A decisão judicial foi sustentada pela necessidade de manter a ordem pública, mas não escapou a críticas do ministro turco para os Assuntos Europeus, Omer Celik, numa série de tweets, nem do porta-voz de Erdogan, que disse que a Alemanha deve ao Presidente turco “uma explicação satisfatória” para essa decisão.

Pelo menos três milhões de pessoas de origem turca vivem atualmente na Alemanha e a maioria delas votou no AKP de Erdogan nas últimas eleições do seu país, no início de novembro, de acordo com dados da organização de comunidades turcas na Alemanha.

“Estamos aqui porque os nossos compatriotas da Alemanha apoiam a democracia e são contra a tentativa de golpe militar”, declarou em Colónia o atual ministro da Juventude, Akif Cagatay Kilic, que nasceu no país europeu. “Dizem que este é um protesto pró-Erdogan mas não, é um protesto anti-golpe”, disse uma manifestante, Kevser Demir, citada pela BBC. “Penso que é um dever da humanidade ser contra um tal golpe.”

Cerca de 2700 agentes da polícia foram destacados para patrulharem a marcha e para manterem afastados esses manifestantes do grupo de extrema-direita que, à mesma hora, se reuniu noutra parte da mesma cidade alemã. A par disso, um grupo de turcos anti-Erdogan também se reuniram no local.

“Ele está a tentar ficar com o poder só para ele e nós somos contra essa ditadura”, disse Gulistan Gul, um dos manifestantes. “Os curdos são oprimidos, os arménios são oprimidos, outras minorias e religiões são oprimidas.”

Nos últimos dias, o regime de Erdogan já demitiu mais 1389 soldados acusados de ligações à tentativa de golpe de 15 de julho, uma que o Presidente e os seus apoiantes atribuem ao clérigo Fethullah Gülen, que vive exilado nos Estados Unidos.

Mais de três mil oficiais das forças armadas turcas já foram afastados nas duas últimas semanas, a juntar aos mais de 50 mil funcionários públicos de vários sectores e das dezenas de jornalistas que foram despedidos por alegadas ligações aos golpistas. A par dessa purga, as autoridades turcas já detiveram mais de 18 mil pessoas sob as mesmas suspeitas, sendo que apenas metade delas foram formalmente acusadas de algum crime.

As purgas de opositores e críticos no rescaldo dessa tentativa de golpe estão a ser duramente criticadas por organizações não-governamentais e a União Europeia já avisou o Governo turco de que o processo de adesão ao bloco irá ser imediatamente terminado se a pena de morte for reinstaurada como desejado por Erdogan e os seus apoiantes.