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Papa despede-se da Polónia e anuncia que próximas Jornadas são no Panamá

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JANEK SKARZYNSKI/AFP/Getty Images

Mais de 1,5 milhões de pessoas estiveram reunidas na missa de encerramento das Jornadas Mundiais da Juventude. Numa homilia marcada por metáforas tecnológicas e por palavras de acolhimento aos refugiados, Francisco deixou vários apelos aos jovens

Foi ao ar livre e sob um sol radioso, com danças, cânticos e bandeiras, que teve lugar a cerimónia de encerramento das Jornadas Mundiais da Juventude, em Cracóvia. Entre 1,5 e 3 milhões de pessoas, maioritariamente jovens, estiveram reunidas no campo da Misericórdia, em Brzegi, perto da cidade polaca, para celebrar a missa e despedirem-se do Papa Francisco.

O encerramento do festival católico que reúne jovens do mundo inteiro trouxe consigo um anúncio oficial: o destino das próximas Jornadas. “Anuncio-vos com alegria que as próximas Jornadas Mundiais da Juventude - depois das ao nível diocesano - vão realizar-se em 2019, no Panamá”, declarou o Sumo Pontífice à multidão, oficializando assim o regresso deste evento à América Latina, que em 2013 teve lugar no Rio de Janeiro, no Brasil.

Ao anúncio seguiu-se uma enorme chuva de papéis brancos e as palavras do Presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, que se encontrava em Brzegi, acompanhado pela mulher, Lorena Castillo. Varela garantiu que o Panamá tem “as portas abertas para receber os milhares de jovens” que irão ao país em 2019.

“Façam download de um bom coração”

Numa missa dirigida aos jovens, e cheia de metáforas tecnológicas, o Papa Francisco chamou a atenção para os jovens evitarem o pessimismo, descrevendo-o como “um vírus que infeta e bloqueia tudo” e que “nos impede de recomeçar.” E apelou aos jovens para colocar Deus e a oração no centro das suas vidas.

“Confiem na memória de Deus: a sua memória não é um disco rígido que grava e arquiva todos os nosso dados, mas um coração cheio de compaixão, um que encontra alegria em apagar em nós cada traço de maldade”, disse, acrescentado ainda: “Façam download de um bom coração.”

A cada jovem, lembrou para fazerem da oração o seu próprio “chat” e do Evangelho o “browser para as estradas da vida.”

Defender uma nova humanidade, acolher os refugiados

Além disso, Francisco alertou o jovens para os perigos do capitalismo, consumismo e materialismo. “Tu és importante! E Deus conta contigo pelo que és, não pelo que tens: para ele, nada vale a roupa que levas ou o telemóvel que utilizas, não lhe importa que estejas na moda, o que lhe importa és tu. Aos seus olhos, tens valor e o que vales não tem preço.”

No Campo da Misericórdia, o chefe da Igreja Católica encorajou os jovens a defenderem uma “nova humanidade”, mesmo contra aqueles que se rirem deles ou não os compreenderem. “As pessoas podem apelidar-vos de sonhadores, porque acreditam numa nova humanidade, uma que rejeita o ódio entre povos, uma que recusa olhar para as fronteiras como barreiras e preserva as suas tradições sem ser egocêntrico ou tacanho.”

As referências ao acolhimento de migrantes e refugiados foram uma presença constante ao longo da semana das Jornadas Mundiais da Juventude, num país liderado pelo partido Lei e Justiça, que se opõe às políticas alemãs de maior abertura aos refugiados e migrantes do Médio Oriente.

“Digam um 'não' firme ao sucesso narcótico a qualquer custo e ao sedativo da preocupação apenas consigo próprio e com o seu próprio conforto”, remata.