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Governo diz não ter conhecimento de “movimento anormal” de portugueses a deixar a Venezuela

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Tiago Petinga / Lusa

“Não temos informação de qualquer movimento que pudesse ser considerado anormal” na comunidade portuguesa e lusodescendente na Venezuela, na sequência da crise económica, política e humanitária no país. As declarações foram proferidas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros português, no final da X reunião da comissão de acompanhamento Portugal-Venezuela, em Lisboa

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou esta sexta-feira que o Governo português não “tem informação de qualquer movimento anormal” na comunidade portuguesa e lusodescendente na Venezuela devido à crise económica e política naquele país.

“A generalidade da comunidade portuguesa que reside na Venezuela já o faz há várias gerações e sente a Venezuela como uma sua pátria. Não temos informação de qualquer movimento que pudesse ser considerado anormal”, afirmou o chefe da diplomacia portuguesa, quando questionado sobre se o Governo tem informação sobre portugueses que estejam a regressar daquele país da América Latina por causa da crise.

Santos Silva falava aos jornalistas no final da X reunião da comissão de acompanhamento Portugal-Venezuela, que decorreu esta quinta e sexta-feira na sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa, e em que participou também a sua homóloga da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Antes, o governante destacara que a comunidade portuguesa está “muito bem integrada” e contribui para a “promoção da riqueza e do emprego” na Venezuela. A maioria da comunidade, estimada em cerca de meio milhão de pessoas, trabalha na área do comércio e distribuição, pelo que tem “um contacto muito estreito com o povo e com o quotidiano das famílias venezuelanas”, sublinhou. Também a ministra das Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que os portugueses “ajudaram, como irmãos, a construir a pátria venezuelana”.

Relações Portugal-Venezuela são “um processo, não um momento”

No plano económico, Augusto Santos Silva sublinhou que “há vários anos” as relações entre Lisboa e Caracas registaram “um grande incremento” e não esmoreceram com a crise que Portugal viveu.

“Este incremento das relações económicas vem-se fazendo ao longo dos anos, é um processo, não é um momento. Portugal passou por dificuldades ao longo deste processo e sabe muito bem que em períodos de dificuldades devemos ser ainda mais determinados e pensar sempre no amanhã. E portanto, em todas as horas, vale a pena desenvolver as relações económicas entre os dois países”, destacou, referindo que a Venezuela foi “um mercado muito importante quando Portugal procurou diversificar os seus mercados fora da Europa”.

No mesmo sentido, a chefe da diplomacia da Venezuela apontou a existência de 189 projetos em 13 áreas de cooperação entre os dois países e disse que, face aos “excelentes resultados”, há que avançar para novas iniciativas. Delcy Rodríguez deixou um convite ao investimento na Venezuela, numa altura em que o país quer apostar na diversificação da economia para contrariar a excessiva dependência do petróleo.

Sobre problemas com contratos e pagamentos, Santos Silva afirmou que “há questões recíprocas que se colocam, quer em relação a direitos de empresas portuguesas na Venezuela quer em relação a direitos de empresas venezuelanas em Portugal que estão a ser tratados num processo normal de que se espera que resultem benefícios para ambos os países”.Também a ministra venezuelana referiu a existência de “compromissos pendentes” de parte a parte, mas considerou “normal haver dificuldades, numa relação frutífera e tão dinâmica”, acrescentando que os Governos dos dois países estão “ao mais alto nível, à procura de mecanismos inovadores e criativos para honrar os compromissos” de ambos os lados.

Questionada sobre se considera que a Venezuela poderá atingir, até ao final deste ano, uma melhor situação económica, quando acaba de prolongar por mais 60 dias o estado de exceção e emergência económica, decretado em janeiro deste ano, a governante respondeu: “Estamos comprometidos, responsavelmente, para superar os mecanismos que agridem a economia venezuelana”.

Sobre as possibilidades de cooperação futura entre os dois países, o secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Oliveira, afirmou que ainda este ano ou no início do próximo irá à Venezuela acompanhado de empresários portugueses para “ver em concreto quais são os setores” e indicou o exemplo da área mineira. “Continuamos otimistas, quer no plano institucional, quer no plano das nossas empresas”, assegurou o secretário de Estado.