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Internacional

Frente al-Nusra muda de nome e corta relações com a Al-Qaeda

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Apoiantes da Frente al-Nusra na Síria

FADI AL-HALABI

Líder do grupo jiadista argumenta decisão com o objetivo de “remover pretexto” usado pela comunidade internacional, em particular pelos EUA e pela Rússia, para bombardear o território e a população da Síria

O grupo jiadista sírio Jabhat al-Nusra, conhecido como Frente al-Nusra, anunciou na quinta-feira o corte total de relações com a Al-Qaeda, com Abu Mohammed al-Julani a emitir a sua primeira mensagem áudio dizendo que o grupo vai passar a chamar-se Jabhat Fateh al-Sham [Frente para a Conquista da Síria] e separar-se do grupo-mãe para acabar com os pretextos usados por potências mundiais para bombardearem os sírios.

Em resposta ao anúncio, as autoridades norte-americanas disseram não ver qualquer razão para alterarem a sua postura face ao grupo, que consideram ser uma organização terrorista. O anúncio de Al-Julani, sublinhou ainda o Departamento de Estado dos EUA, é um mero exercício de rebranding.

Há alguns dias, a Al-Qaeda já tinha avisado que a separação estava para breve, com o segundo na linha de comando do grupo, Ahmed Hassan Abu al-Khayr, a dizer que a organização-mãe tinha dado instruções "à liderança da Frente Al-Nusra para avançar" com a decisão que "protege os interesses do Islão e dos muçulmanos e que protege a jiad" na Síria. Na mesma mensagem, o líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, sublinhou que "a irmandade do islão é mais forte do que quaisquer laços organizacionais que se alteram e que desaparecem".

Na gravação divulgada ontem pela Al-Nusra nas redes sociais e traduzida pela Al-Jazeera, Al-Julani agradece aos "comandantes da Al-Qaeda por entenderem a necessidade do corte de laços", numa decisão que, diz, serve para "expôr a fraude da comunidade internacional, nomeadamente dos EUA e da Rússia, nos seus bombardeamentos implacáveis e deslocamento de massas de muçulmanos da Síria sob o pretexto de bombardearem a Frente al-Nusra". O novo grupo, sublinhou, "não terá quaisquer ligações a grupos estrangeiros".

Na semana passada, o chefe da diplomacia norte-americana, John Kerry, e o seu homólogo russo, Sergei Lavrov, tinham anunciado um acordo para tomarem "passos concretos" no combate a grupos jiadistas como o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) e a Frente al-Nusra, que foram ambos excluídos das negociações de paz para a Síria que ocorreram em fevereiro.

A existência do grupo foi anunciada num vídeo divulgado no início de 2012, poucos meses depois do início da guerra civil na Síria que pretendia derrubar Bashar al-Assad. Em abril do ano seguinte, a Al-Nusra recusou-se a unir esforços com o Daesh e jurou aliança à Al-Qaeda, tornando-se um satélite sírio da organização em tempos liderada por Ossama bin Laden. De acordo com observadores no terreno, existem entre cinco mil e dez mil militantes na Al-Nusra, na sua vasta maioria sírios que querem depôr Assad e que não se reveem em qualquer dos outros grupos da oposição.