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Com Alepo no olho do furacão, Cruz Vermelha exige proteção de corredores humanitários

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EPA

A Rússia, grande aliada do regime sírio de Bashar al-Assad, anunciou a abertura de três rotas para que os residentes da província possam fugir dos bombardeamentos. Departamento de Estado norte-americano acusa os dois governos de forçarem evacuação de civis para poderem obrigar rebeldes a renderem-se

A Cruz Vermelha Internacional exigiu esta sexta-feira que seja garantida proteção às pessoas que estão a fugir das áreas cercadas de Alepo, a maior cidade da Síria, localizada na província do noroeste com o mesmo nome, onde estão a ser criados “corredores humanitários” para proteger os cerca de 300 mil residentes presos no leste.

Em comunicado, a agência humanitária exige que os seus funcionários tenham acesso aos civis para garantir que as famílias que escolhem partir permanecem juntas.

Ao contrário de outras organizações e governos estrangeiros, o Comité Internacional da Cruz Vermelha aplaudiu a decisão da Rússia, grande aliada do regime sírio de Bashar al-Assad, de criar três rotas de fuga para os civis e uma quarta para rebeldes armados que lutam contra o governo sírio desde 2011.

Mas ainda assim alinhada com a ONU e com a administração Obama, avisou que as partidas de Alepo devem ser "voluntárias" e que a segurança daqueles que decidem partir tem de ser garantida em todos os momentos.

O anúncio do que a Rússia classifica de“operação humanitária de larga escala” na cidade próxima da fronteira com a Turquia foi feito esta sexta-feira pelo ministro russo da Defesa, Sergei Shoigu, que diz que as forças do país e da Síria têm como “primeiro e último objetivo garantir a segurança dos residentes de Alepo”.

O passo foi recebido com cautela pela coligação internacional liderada pelos EUA. Em conferência de imprensa, o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, John Kirby, disse que o exercício humanitário pode ser uma tentativa do aliado da Síria de forçar a retirada de civis com o único intuito de sitiar os grupos rebeldes e forçar a sua rendição. “O que tem de acontecer é as pesoas inocentes de Alepo poderem ficar nas suas casas, com segurança, e receberem ali acesso a ajuda humanitária com a qual a Rússia e o regime [sírio] se comprometeram em princípio.”

O sub-secretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Stephen O'Brien, alinhou-se com os EUA, dizendo que ainda não está convencido de que a criação destes corredores humanitários pela Rússia esteja no melhor interesse da população civil que está a morrer à fome e em bombardeamentos — incluindo até em ataques aéreos da coligação internacional, que o exército norte-americano diz já estar a investigar.

“Se determinadas rotas estão a ser criadas, seja como oferta ou contribuição, queremos ter a certeza de que todas as partes dão garantias absolutas de que essas rotas são seguras e que ninguém será forçado a usá-las involuntariamente ou a dirigirem-se para fora da cidade ou para qualquer outro sítio que não seja da sua escolha.”