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Austrália processa dois jovens presidiários que foram alvo de maus-tratos

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Autoridades australianas alegam que os jovens presidiários terão tentado fugir do reformatório, tendo causado um prejuízo na ordem dos 60,4 mil euros

O governo australiano está a processar dois jovens do centro de detenção juvenil Don Dale, em Darwin, que se queixam de maus-tratos. Ambos foram afastados com gás lacrimogéneo pelos guardas prisionais, na sequência de uma tentativa de fuga.

Em causa esteve uma reportagem televisiva do canal ABC que mostrou vários episódios de agressões e humilhações a seis jovens daquele reformatório. O trabalho de investigação, levado a cabo pelo programa “Four Corners”, exibiu vários tipos de abusos por parte dos funcionários prisionais, levando o governo a abrir uma investigação sobre os casos.

Mas de acordo com as conclusões iniciais do inquérito, esses jovens terão tentado fugir do reformatório, tendo causado um prejuízo na ordem de 89 mil dólares australianos (60,4 mil euros).

A defesa alega, contudo, que os jovens não teriam tentado fugir caso não estivessem sujeitos a más condições na prisão juvenil.

Numa parte da reportagem via-se um dos detidos, Dylan Voller, na altura com 17 anos, preso a uma cadeira e com um capuz. Juan Mendez, relator especial das Nações Unidas, admitiu em entrevista à ABC Radio que aquilo que se vê na reportagem pode ser considerado tortura.

O primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, prometeu uma investigação “séria e independente” sobre os alegados abusos a jovens presidiários, sublinhando que é essencial perceber se tais atos “faziam parte da cultura do sistema penitencial do território.”