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Sánchez diz que chegou o tempo de Rajoy

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GERARD JULIEN/GETTY

Líder do partido socialista espanhol recusa apoiar Mariano Rajoy, mas defende que este tem “opções e que se deve apresentar à investidura”

O líder do PSOE comunicou esta quinta-feira em Madrid ao rei de Espanha que votará "não" ao candidato do PP, Mariano Rajoy, e que este tem a "responsabilidade constitucional" de "dar um passo em frente e apresentar-se à investidura".

"O PSOE vai votar contra e não apoiará aquele que quer mudar", disse Pedro Sánchez a Felipe VI, acrescentando que "o sr. Rajoy tem opções e que se deve apresentar à investidura" no Congresso de Deputados.

Para o líder socialista chegou "o tempo do sr. Rajoy", a quem cabe "meter-se a trabalhar" para negociar apoios para o futuro governo.

Na conferência de imprensa que deu depois do encontro com o rei, Sánchez afastou qualquer possibilidade de o PSOE se abster em um possível voto de investidura de Mariano Rajoy, líder do PP (Partido Popular, de direita) e atual presidente do governo de gestão.

"Estou convencido de que haverá governo e que o governo irá começar a trabalhar", disse Pedro Sánchez que apesar da insistência dos jornalistas não quis falar sobre a possibilidade de Mariano Rajoy não conseguir os apoios necessários e o impasse político continuar em Espanha.

O partido Ciudadanos (centro) foi o único até agora que manifestou a sua disposição em abster-se para deixar passar um governo liderado por Mariano Rajoy, mas isso não será suficiente se todas as outras forças políticas votarem contra Rajoy, como têm defendido até agora.

O rei termina esta tarde, com Mariano Rajoy, a ronda de conversações que está a fazer com todos os líderes das forças políticas espanholas e em seguida irá convocar a presidente do Congresso, Ana Pastor, para a informar do resultado das consultas e, se tudo correr bem, apresentar a proposta de candidato a presidente do executivo.

O atual Congresso de Deputados foi formado na sequência das eleições de 26 de junho último, seis meses depois das eleições anteriores, de 20 de dezembro, em que os partidos políticos espanhóis não conseguiram formar um governo estável.

Nessa altura, Felipe VI fez três rondas de encontros com os partidos representados no parlamento para tentar encontrar uma solução para o impasse que se manteve até ao fim.

Todos os partidos defendem que não deve haver novamente eleições (pela terceira vez), mas a falta de uma maioria clara bloqueia a formação de um executivo.

O Partido Popular foi o mais votado nas eleições de 26 de junho e também o único que subiu em votantes e número de deputados, mas com os seus 137 lugares continua sem a maioria absoluta de 176 deputados num total de 350.
O PSOE ficou em segundo lugar, conquistando 85 lugares, enquanto a aliança Unidos-Podemos ficou em terceiro, com 71 deputados. A quarta formação mais votada foi o Ciudadanos, que alcançou 32 assentos.