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Raptaram a sogra de um dos homens mais ricos do mundo. E pouco se fala do assunto

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Moradia de Aparecida Schunck em Jardim Santa Helena, Interlagos, zona sul de São Paulo

Getty

Aparecida Schunck, sogra do patrão da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, foi sequestrada em São Paulo há cinco dias. Mas os media internacionais ainda não deram por isso

Mudou de casa quando a filha casou com um dos homens mais ricos do mundo, por entender que aquela onde vivia não era suficientemente segura. Mas de pouco lhe terá servido. Aparecida Schunck Flosi Palmeira, a sogra brasileira do patrão da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, está em parte incerta desde sexta-feira e quem a levou contra a sua vontade pede o equivalente a 120 milhões de reais, em libras esterlinas, qualquer coisa como 33,2 milhões de euros. A revista “Veja”, que deu a notícia em primeira mão, já lhe chamou “o maior sequestro do Brasil”.

Os vizinhos que testemunharam o crime dizem que a empregada de Aparecida, de 67 anos, abriu o portão da moradia-fortificada do bairro de classe média alta, Jardim Santa Helena, em Interlagos, zona sul de São Paulo, a um grupo que do exterior terá dito que vinha entregar uma encomenda. E assim que o fez, forçaram a entrada na propriedade cercada por muros de três metros de altura com arame farpado nos topos e câmaras de videovigilância. A empregada chamou Aparecida e esta, ameaçada com uma faca, foi obrigada a entrar no seu próprio carro, usado pelos sequestradores para a levar dali. Não precisaram mais dez minutos. E já lá vão cinco dias…

A polícia, que lançou sobre este crime um manto de silêncio (afinal, isto não poderia ter acontecido em pior altura, logo agora que falta tão pouco para os Jogos Olímpicos), estará a negociar com os raptores da sogra de Ecclestone (dono de uma fortuna estimada em 2,8 mil milhões de euros, segundo a revista “Forbes”), mãe de Fabiana Flosi, uma advogada de 38 anos que conheceu o multimilionário, de 85, quando trabalhava na organização do Grande Prémio de Fórmula 1 no autódromo de Interlagos em 2009.

Bernie Ecclestone e Fabiana Flosi no grande prémio de Singapura em setembro de 2014

Bernie Ecclestone e Fabiana Flosi no grande prémio de Singapura em setembro de 2014

Getty

"Mulher guerreira"

Os investigadores encarregues do caso, que não o podem “comentar, nem confirmar para proteger a vida das pessoas que possam estar em risco”, tal como disse à AFP um porta-voz da Secretaria de Segurança de São Paulo, pensam que o crime terá sido muito bem preparado, que a vítima terá sido observada durante alguns meses e que desde sexta-feira mudaram Aparecida várias vezes de local para impedir que a polícia conseguia encontrá-la.

Consideram, por isso, que este sequestro terá sido obra de um grupo bem mais sofisticado, e bem preparado, do que aqueles onde os agressores se limitavam a levar as vítimas até ao multibanco mais próximo, junto do qual, sob ameaça de armas de fogo, as obrigavam a fazer levantamentos chorudos.

Muito comum no final dos anos 1990 e início da década de 2000, este tipo de crime registou um decréscimo considerável desde a criação do departamento especial antissequestro. Na memória de muitos brasileiros ainda estão os raptos de familiares de futebolistas como o do pai de Romário em 1994, que ficou sete dias em cativeiro e foi libertado após o pagamento de resgate, ou da irmã de Hulk (ex-FC Porto), sequestrada durante 24 horas em Paraíba, em 2012.

Tal como a polícia, Ecclestone mandou dizer que não iria fazer um único comentário sobre o caso da “mulher guerreira”, como foi descrita por uma vizinha do tempo em que Aparecida vivia no humilde bairro de Santa Francisca Cabrini, também na zona sul de São Paulo.

Já os atuais vizinhos do Jardim Santa Helena não escondem a sua preocupação com o desfecho deste rapto, à medida que o tempo passa. “Nos últimos anos, o número de sequestros, que em tempos foram uma praga aqui no bairro, estava a diminuir e quando acontecia algum nunca era por tanto tempo”, desabafa um deles sob anonimato, por temer represálias.