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Obama: “Façam por Hillary aquilo que fizeram por mim”

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Alex Wong

Ao terceiro dia da convenção do Partido Democrata, presidente norte-americano pediu aos eleitores que votem em Hillary para darem continuidade ao seu legado

"Esta noite, peço-vos que façam por Hillary Clinton aquilo que fizeram por mim. Peço-vos que a carreguem como me carregaram" até a presidência dos Estados Unidos nas eleições em novembro.

Assim pediu na quarta-feira à noite (madrugada desta quinta em Portugal) Barack Obama, ao terceiro dia da Convenção Nacional Democrata, onde a sua ex-secretária de Estado foi formalmente nomeada como a primeira mulher candidata às presidenciais por qualquer dos dois grandes partidos dos Estados Unidos.

Em mais um discurso sobre a escolha que os eleitores norte-americanos enfrentam a 8 de novembro, entre "a esperança e o medo", Obama escolheu um caminho diferente de anteriores oradores do encontro, não se coibindo de atacar diretamente o rival republicano de Hillary, "o demagogo de trazer por casa" Donald Trump, e sublinhando que a antiga primeira-dama é a candidata mais qualificada à Casa Branca.

Obama foi o homem forte convidado a encerrar a penúltima noite do encontro de democratas, no mesmo dia em que Trump poderá ter cometido o crime de traição ao usar uma conferência de imprensa para pedir à Rússia de Vladimir Putin que aceda ilegalmente aos emails privados de Hillary Clinton em troca de "poderosa recompensação" pelos media norte-americanos.

Dirigindo-se aos delegados, membros e apoiantes do Partido Democrata concentrados em Filadélfia, e reconhecendo que a maioria dos habitantes do país são pessoas "cheias de coragem, decentes e generosas" que estão "frustradas com o impasse político", o Presidente pediu que façam com Clinton o que fizeram com ele.

"Por várias vezes vocês ergueram-me. Espero que, por vezes, eu também vos tenha levantado do chão. [Clinton] é uma líder com planos reais para quebrar barreiras, para rebentar com telhados de vidro e alargar o círculo de oportunidades para cada norte-americano", sublinhou num tom otimista. No final, Hillary juntou-se a ele para lhe agradecer o apoio com um abraço.

Antes de Obama, foi o seu vice-presidente quem tomou o palco do centro Wells Fargo na maior cidade do estado da Pensilvânia para acusar Trump de "apoiar a tortura e a intolerância religiosa" e de "trair os valores" dos EUA. "Ele não tem ideia nenhuma do que torna a América grande", referiu Joe Biden apoiando-se no slogan de campanha de Trump, 'Make America Great Again'.

Em resposta aos ataques diretos, Trump acusou Obama e restantes democratas de se apoiarem num otimisto deslocado da realidade, dizendo no Twitter que o país pintado pela sua oposição não existe para a maioria das pessoas, "milhões de pessoas maravilhosas que vivem na pobreza, violência e desespero". "Nunca um partido esteve tão desconectado do que está a passar-se no mundo", acusou o candidato republicano.

Na noite anterior, Madeleine Albright, a primeira mulher a ser nomeada Secretária de Estado dos EUA, um cargo que ocupou entre 1997 e 2001 na administração de Bill Clinton, também já tinha feito um discurso direto e sem rodeios com críticas ao candidato republicano. "Garantir a liberdade e a segurança não é como apresentar um reality show na televisão", sublinhou em mais um ataque a Trump.

Esta quinta-feira à noite, Hillary Clinton irá falar aos democratas para encerrar um encontro de quatro dias que ficou inicialmente marcado por cisões internas entre os que a apoiam e os que, até agora, apoiavam o senador Bernie Sanders. O seu rival nas primárias até ao início deste mês pediu, na segunda-feira, a todos os que o defendem que apoiem a candidata oficial do partido para impedir que Trump seja eleito Presidente.