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Merkel não recua: política de acolhimento de refugiados é para manter

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JOHN MACDOUGALL / AFP / Getty Images

Apesar dos ataques recentes na Alemanha, a chanceler alemã reforçou o seu compromisso com a política de acolhimento de refugiados, apesar das críticas dentro e fora da sua coligação para que endureça a posição da Alemanha nesta questão

Na sequência dos vários ataques de que a Alemanha foi palco nos últimos dias, Angela Merkel decidiu antecipar a sua conferência de imprensa anual no Bundestag, realizada depois do período de férias de verão, para esta quinta-feira. A chanceler alemã interrompeu as suas férias para reiterar que irá manter a sua política de acolhimento de refugiados, apesar das críticas dentro e fora da sua coligação para que a chefe do Governo alemão endureça a sua política de asilo.

Merkel recordou o seu discurso do ano anterior, no qual defendia uma política de “portas abertas” aos migrantes e refugiados, e voltou a reforçá-lo este ano. “Há onze meses que disse nesta sala que superaremos a crise de refugiados. E hoje volto a dizê-lo. Vamos manter os nossos princípios.” Invocando a Constituição alemã e as convenções de Genebra, que definem as normas para as leis do direito humanitário internacional, a conservadora alemã recordou que “os requerentes de asilo e refugiados devem obter proteção.”

Sem deixar de condenar os ataques de Würzburg, Munique y Ansbach, a chanceler defendeu que os refugiados que se serviram da ideologia terrorista “fizeram troça” do país de acolhimento, organizações de ajuda e dos restantes refugiados que procuram fugir da guerra para recomeçar uma nova vida na Europa.

“Os terroristas querem obrigar-nos a perder de vista aquilo que consideramos importante, romper a nossa coesão e sentido de comunidade, assim como inibir o nosso modo de vida, a nossa abertura e a nossa vontade em receber pessoas que necessitam de ajuda”, acrescentou.

Ainda assim, reconheceu que o seu país tem agora que lidar com uma nova dimensão da ameaça terrorista, num contexto em que a Alemanha tem sido alvo de vários ataques nos últimos dias. No dia 18, um refugiado afegão atacou várias pessoas com um machado num comboio em Würzburg, ferindo três pessoas; na sexta-feira um atirador alemão de ascendência iraniana tirou a vida a nove pessoas num tiroteio em Munique; e no domingo um refugiado sírio matou uma mulher grávida e feriu outras pessoas com um machete em Reutlingen e outro fez-se explodir em Ansbach, ferindo cerca de 15. Ainda assim, nem todos os ataques foram associados ao movimento autointitulado Estado Islâmico (Daesh).

Foi neste contexto que Angela Merkel apresentou esta quinta-feira um programa destinado a lutar contra a ameaça terrorista. Neste, apresentam-se medidas que passam por introduzir um sistema melhorado para detetar potenciais atentados, por um aumento das dotações para combater o terrorismo na Europa e ainda medidas para regular o comércio de armas através da internet.