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Exército da Síria rompe com todas as rotas de abastecimento dos rebeldes em Aleppo

EPA

Regime sírio diz que deixou de haver “qualquer forma de fazer entrar” armas e outros mantimentos na província do noroeste, próxima da fronteira com a Turquia. EUA dizem que vão investigar mortes de civis em bombardeamentos da coligação

O exército sírio anunciou na quarta-feira à noite que as forças leais a Bashar al-Assad conseguiram interromper todas as rotas de abastecimento à zona leste de Aleppo, que está sob controlo dos rebeldes da oposição desde 2012 e que, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), está efetivamente cercada desde 11 de julho, quando o regime lançou uma ofensiva para retomar a maior cidade do país.

Nos últimos dias, as forças de Assad conseguiram reforçar o controlo da última rota de abastecimento que ainda servia os rebeldes na parte da província do noroeste do país, perto da fronteira com a Turquia, com o diretor do OSDH a sublinhar que os grupos que combatem o regime sírio já não têm qualquer hipótese de receber armas nem outros mantimentos. “Hoje já não há forma de trazer nada para Aleppo”, disse Rami Abdel Rahman na quarta-feira.

“Ativistas e testemunhas dizem-nos que as forças do regime estão a assumir o controlo de mais e mais área” a cada dia, noticiou o correspondente da Al Jazeera a partir de Gaziantep, no lado turco da fronteira com a Síria. “Isso representa um problema real precário para os rebeldes, porque a cidade está cada vez mais cercada pelas forças do regime.”

Na terça-feira, o general que comanda o exército sírio tinha exigido aos rebeldes em Aleppo que abandonassem as armas, enviando SMS a civis e a membros da oposição a pedir-lhes que “se juntem à reconciliação nacional e expulsem os intrusos mercenários das áreas em que os civis residem”, noticiou a agência de notícias síria, SANA. A mesma fonte avançou que foram criados corredores humanitários para os residentes que querem fugir das áreas sitiadas.

“Ativistas da oposição [a Assad] dizem que estão a enfrentar circunstâncias cada vez mais difíceis e que o cerco está a criar uma crise humanitária dentro e ao redor da cidade”, avançou o correspondente da Al Jazeera.

Fogo sobre civis

Nos últimos dias, dezenas de civis foram mortos em ataques distintos em várias zonas da cidade e arredores. Na terça, helicópteros do Governo sírio abriram fogo contra o bairro Al-Mashhad, na parte de Aleppo ainda sob controlo dos rebeldes, matando pelo menos 18 pessoas. No dia anterior, mais de 42 civis perderam a vida e dezenas ficaram feridos em bombardeamentos contra Al-Atareb, outra cidade da província. A escalada de ataques na região surgiu a par de uma proposta da ONU, que quer que as negociações de paz suspensas há vários meses sejam retomadas em agosto.

Também ontem, o Exército norte-americano anunciou que já tem “provas suficientes” para dar início a uma investigação formal às acusações de que a coligação internacional liderada pelos EUA matou dezenas de civis na cidade de Manbij. Após examinar “informações internas e externas”, a coligação determinou que há provas credíveis suficientes de que houve vítimas civis num dos seus bombardeamentos contra a cidade próxima de Aleppo, disse o coronel Chris Garver.

Parte de Manbij está atualmente sob controlo do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), que os EUA e os seus aliados ocidentais e árabes continuam a tentar derrubar através de uma campanha exclusivamente aérea. De acordo com várias testemunhas, entre 56 e 167 civis terão perdido a vida no ataque de 19 de julho no norte daquela cidade.