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Autor do massacre no Japão detalhou os seus planos em carta enviada a deputado

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TOSHIFUMI KITAMURA

Satoshi Uematsu anunciou e detalhou os seus planos de realizar o ataque no centro de apoio a pessoas com deficiência no Japão, numa carta enviada a um deputado japonês há cerca de cinco meses. Morreram 19 pessoas no ataque

Numa carta escrita a 14 de fevereiro e divulgada esta quarta-feira, o homem que tirou a vida a 19 pessoas e feriu 26 numa clínica de apoio a pessoas com deficiência em Sagamihara, nos subúrbios de Tóquio, descreveu detalhadamente os planos que tinha para realizar aquele que foi o maior massacre do país em várias décadas.

“Decidi agir pelo bem do Japão e do mundo”, afirmou Satoshi Uematsu na carta enviada ao deputado japonês da província de Kanagawa Tadamori Oshima, noticiada pelos meios de comunicação japoneses. “Acho que atualmente não há nenhuma solução para o modo em que vivem as pessoas com deficiências múltiplas. As pessoas com deficiência só podem criar miséria.”

Além de procurar justificar as suas intenções, Uematsu vai ainda mais longe e divulga, de forma pormenorizada, de que forma pretendia atuar. “O plano será realizado durante o turno da noite, quando há pouco pessoal. Os alvos serão duas instalações onde residem várias pessoas com deficiência. Os trabalhadores em serviço serão algemados com fios para que não se possam movimentar, nem fazer algum tipo de ligação.”

O assassino japonês acrescentava ainda que o massacre seria “executado com rapidez” e “sem atingir os funcionários.” E adiantava que pretendia entregar-se após matar várias pessoas nas duas instalações.

O homem de 26 anos, que trabalhara no centro Tsukui Yamayuri-en, onde ocorreu o ataque, vivia a meio quilómetro da clínica. Segundo a cadeia de televisão japonesa NHK, trabalhou em Tsukui Yamayuri-en desde dezembro de 2012 até ao início deste ano, altura em que foi internado numa instituição para evitar que fizesse mal a outras pessoas, após ter enviado a carta ao deputado japonês.

Embora o hospital tivesse combinado informar a clínica de apoio a pessoas com deficiência quando o seu antigo trabalhador tivesse alta, não o fez.