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A falta de gasolina mata no Sudão do Sul

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ALBERT GONZALEZ FARRAN/GETTY

No Sudão do Sul morre-se por quase tudo. Doença, fome, guerra. Mas também por falta de gasolina, num país que tem das maiores reservas petrolíferas de África

Desde o início da guerra civil no Sudão do Sul, em dezembro de 2013, o país vive um autêntico inferno. Uma sangria étnica num país onde reina a pobreza entre a população: falta de água potável, alimentos, medicamentos, saneamento ou assistência à saúde.

Mas não se morre só disso. Morre-se por falta de gasolina num país que é detentor da terceira maior reserva petrolífera do continente africano. Foi o caso de Nyanene, uma bebé com cinco meses que tinha uma pneumonia mas que não morreu devido à doença - morreu simplesmente porque o gerador do hospital falhou por falta de combustível, conta o “El Mundo”.

Jason Straziuso, da Cruz Vermelha, disse ao jornal espanhol que a mãe da bebé chegou ao hospital com esperança que a filha tivesse em breve alta, embora apresentasse um estado de saúde débil. Ia recuperando aos poucos. Estava ligada a um aparelho que assegurava a respiração artificial, mas um dia a pediatra que a seguia constatou que o mesmo deixou de funcionar, na sequência da falha do gerador. Resultado? Após várias tentativas de reanimação e massagens cardíacas, a médica percebeu que a bebé estava morta.

Depois da difícil tarefa de dar a notícia à mãe, a pediatra desfez-se em lágrimas e gritos de desespero: “A única razão por que morreu a bebé é porque o gerador deixou de funcionar”, bradou a médica.

A guerra civil no Sudão do Sul – que começou há quase três anos – já causou milhares de mortos e obrigou mais de 2,5 milhões de pessoas a deixarem as suas casas. À margem do conflito existem histórias de violações de mulheres, torturas e outros abusos.