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Orban apoia Trump chamando aos migrantes um “veneno” desnecessário para o país

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Os líderes da Áustria e da Hungria em Budapeste

LAZSLO BALOGH / REUTERS

O primeiro-ministro húngaro desafia a política europeia para a migração e elogia a política externa anti-imigração proposta pelo candidato republicano à Casa Branca

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Donald Trump serve os argumentos do populismo europeu como ninguém. Que o diga Viktor Orban, o primeiro-ministro da Hungria, que usa intenções declaradas do candidato republicano à presidência dos Estados Unidos adaptando-as à Europa: os migrantes são um “veneno” e “não são necessários”.

Além de Trump, os atentados que se têm multiplicado nas últimas semanas em território europeu servem de argumento ao chefe de Governo de direita, que critica a política externa dos democratas americanos apenas algumas horas depois de Hillary Clinton ter sido anunciada como a candidata do partido à Casa Branca.

A política externa que serve a Hungria, declarou Orban durante uma conferência de imprensa conjunta na capital, Budapeste, com o chanceler austríaco, Christoph Kern, é aquela defendida por Donald Trump : “A Hungria não precisa de um só imigrante para que a sua economia funcione ou para apoiar a população do país, ou para que o país tenha um futuro”.

“É por isto que não há necessidade de uma política comum europeia de migrações: quem precisar de migrantes pode levá-los, mas não nos obriguem a ficar com eles”, acrescentou o primeiro-ministro, citado esta quarta-feira no site do jornal húngaro “Daily News”.

Estas declarações fizeram do líder húngaro o primeiro a expressar publicamente a sua preferência por um dos candidatos norte-americanos às presidenciais de novembro, escreve o diário britânico “The Guardian”.

Orban tem desafiado as decisões europeias realtivamente aos requerentes de asilo e migrantes que têm colocado novos desafios à Europa, em particular desde 2015. O primeiro-ministro recusa o plano de partilha mandatória de quotas de reinstalação de imigrantes proposta pela Comissão Europeia e marcou um referendo para 2 de outubro para perguntar aos húngaros se querem ou não participar naquele esquema.

Pelo seu lado, o líder do comité parlamentar para as relações exteriores da Hungria declarou ao mesmo meio de comunicação social que os interesses regionais regionais e económicos da Hungria “são apenas algumas das muitas razões” pelas quais o país “não tem alternativa à integração europeia”. Zsolt Németh sublinhou que pertencer à UE é crucial para as políticas do Governo relativas aos húngaros no estrangeiro.