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Doações do Ice Bucket Challenge ajudaram cientistas em nova descoberta

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Em Melbourne, em 2014, até se tentou bater um recorde de banhos de gelo

Scott Barbour/ Getty Images

Bill Gates, Mark Zuckenberg e Cristiano Ronaldo aceitaram o desafio em 2014. Como eles tantos outros, entre anónimos e celebridades, levaram com balde com gelo e a ALS Association conseguiu angariar 115 milhões de dólares. Esse dinheiro possibilitou o desenvolvimento de seis projetos de investigação na área da esclerose lateral amiotrófica, uma doença neurodegenerativa

Lembra-se dos baldes de gelo? Dois anos depois de os vídeos para apoiar os doentes com esclerose lateral amiotrófica se terem tornado virais nas redes sociais, há resultados. Graças ao dinheiro angariado, os cientistas conseguiram descobrir um novo gene que contribui para o aparecimento da doença, o NK1.

A descoberta irá ajudar os investigadores a compreenderam como e qual a causa do aparecimento da doença. Responder a estas perguntas pode ser essencial para se conseguir alcançar tratamentos eficazes e, talvez, até a cura.

O Project MinE, publicado agora pela Natura Genetics, é o maior estudo alguma vez realizado sobre esclerose lateral amiotrófica. Mais de 80 investigadores em 11 países estiveram envolvidos para tentar chegar a uma conclusão relativamente à base genética da doença. “A sofisticada análise que conduziu a esta descoberta só foi possível devido ao grande número de amostras disponíveis”, disse Lucie Bruijn da ALS Association, citada pela BBC.

A variante do NEK1 só está presente em 3% pessoas das pessoas diagnosticadas com a doença, no entanto a descoberta sugere que haverá outros genes por identificar que aumentam o risco do surgimento da esclerose lateral amiotrófica.

O Project MinE, fundado em 2013 na Holanda, estava praticamente parado. Não havia forma nem orçamento para analisar as centenas de amostras sanguínias recolhidas. Após ter sido angariado dinheiro pela ALS Association, através dos vídeos do Ice Bucket Challenge, foi um dos seis projetos escolhidos para ser desenvolvido.

“Foi uma das campanhas nas redes sociais mais bem-sucedidas. O fundo ajudou-nos na investigação, mas também teve um profundo efeito na atenção dada à doença, não só a nível mediático, mas ao nível das biotecnologia e das empresas farmacêuticas. Cada vez mais estão ver e a pensar na esclerose lateral amiotrófica como um alvo [para a investigação]”, explicou Bernard Muller, fundador do Project MinE, citado pelo jornal britânico “The Guardian”.

Segundo dados apresentados pela BBC, mais de 17 milhões de pessoas fizeram uploads de vídeos do Ice Bucket Challenge para o Facebook, que foram vistos mais de 440 milhões de vezes em todo o mundo.