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Expresso

Internacional

Baviera quer militares nas ruas porque população “está cheia de medo”

Joerg Koch

Aliados da CDU de Merkel no estado alemão, que nunca concordaram com as políticas de integração de refugiados da chanceler, falam numa “nova dimensão do terrorismo” e exigem que o governo federal faça “tudo o que for necessário para proteger os cidadãos”

O governador da Baviera exige que a chancelaria alemã fale publicamente sobre as preocupações populares relacionadas com a segurança e imigração na Alemanha no rescaldo de quatro ataques numa semana.

Numa conferência de imprensa, Horst Seehofer, do partido-irmão da CDU de Merkel na Baviera, disse que os alemães estão "enervados" e "cheios de medo" por causa da onda de ataques, nenhum dos quais com ligações comprovadas ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) mas que, mesmo assim, ameaçam aumentar a retórica anti-imigração e a xenofobia no país.

"As pessoas estão aterrorizadas e desejam uma clara resposta do Estado", declarou o líder regional. "Precisamos de mais proteção na Alemanha. A Baviera atuará com firmeza. O que temos é uma dimensão totalmente nova de terrorismo, o terrorismo inspirado no islamismo, e precisamos de intensas discussões sobre este desafio na Baviera e na Alemanha sobre como preveni-lo e reprimi-lo. Esse é o grande desafio que enfrentamos e, portanto, qualquer tentativa de contextualizar o problema é inapropriada."

Seehofer e o seu ministro do Interior, Joachim Herman, tornam-se assim nos primeiros políticos eleitos da Alemanha a relacionarem diretamente os episódios de violência registados na última semana e o acolhimento de refugiados e migrantes em números recorde, atribuindo ao Daesh ou, no mínimo, à sua ideologia a responsabilidade por esses ataques.

Nesse sentido, Herman continua a exigir que se possa destacar militares para as ruas da Baviera, "não para substituir a polícia" em operações anti-terroristas "mas para apoia-la". Só que para isso, aponta o "El País", seriam necessárias alterações à Constituição alemã. Na segunda-feira, o autarca de Berlim já tinha refutado publicamente esta exigência do ministro da Baviera, dizendo que a Alemanha "não pode responder ao ódio com o ódio".

Dos quatro ataques que aconteceram na última semana, três deles na Baviera, só um poderá ter, de alguma forma, sido inspirado pelo dito radicalismo islâmico: o primeiro deles, na segunda-feira da semana passada, quando um afegão atacou várias pessoas com um machado a bordo de um comboio em Würzburg e foi abatido pela polícia.

Num outro ataque, no domingo à tarde, um nacional sírio matou uma polaca grávida com quem trabalhava em Reutlingen, no estado de Baden-Württemberg, no que a polícia disse ter sido um crime passional. Horas depois, um homem que já tinha tentado suicidar-se duas vezes desde que chegara à Alemanha há 18 meses vindo da Síria, e que viu o seu pedido de asilo negado, fez-se explodir à entrada de um bar onde decorria um festival de música, em Ansbach, ferindo 12 pessoas.

O mais mortífero dos quatro ataques foi executado na sexta-feira passada por um jovem alemão filho de iranianos que era vítima de bullying na escola e que atraiu colegas a um centro comercial de Munique, também na Baviera, onde matou nove pessoas a tiro, gritando insultos contra os "turcos" e os "árabes", antes de se suicidar.