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O discurso de Michelle Obama que emocionou os americanos

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“Acordo todos os dias numa casa que foi construída por escravos”, disse Michelle Obama durante o seu discurso na Convenção do Partido Democrata

Michelle Obama marcou a convenção do Partido Democrata esta segunda-feira (madrugada de terça em Portugal) com um discurso de apelo ao voto a Hillary Clinton, mas que foi bem para lá disso. Num momento em que o partido democrata enfrenta divisões e protestos, as palavras da primeira-dama dos Estados Unidos da América foram diretas à identidade dos americanos, à sua História e aos seus valores, emocionando quem a ouvia.

Michelle recuou aos dias em que, após a eleição de Barack Obama para a presidência, há oito anos, entraram na Casa Branca. “Nunca esquecerei aquela manhã de inverno, enquanto via as nossas filhas, com apenas sete e dez anos, a subirem para os grandes SUV pretos, com todos aqueles homens armados", recorda. "A única coisa em que eu conseguia pensar era: 'O que fomos nós fazer?'."

"Naquele momento, percebi que o nosso tempo na Casa Branca formaria a base daquilo que elas viriam a ser. E a forma como nós geríssemos essa experiência poderia formá-las ou quebrá-las."

Michele Obama lembrou que o que está em causa são "os nossos filhos e filhas" e o papel que o presidente dos Estados Unidos tem nesse futuro, num discurso que pode ser lido na íntegra na “Time”, por exemplo. “Nesta eleição, e noutras eleições, o que está em causa é quem terá o poder de formar as nossas crianças nos próximos quatro ou oito anos das suas vidas.”

E acrescentou: “Há apenas uma pessoa a quem confio essa responsabilidade, uma única pessoa que acredito ser verdadeiramente qualificada para ser presidente dos Estados Unidos, e é a nossa amiga Hillary Clinton”.

SCOTT AUDETTE / REUTERS

Michelle elogiou o percurso de Clinton e o papel que teve nos últimos anos. “É uma pessoa que conhece estas funções e as leva a sério. Isso não pode ser resumido em 140 caracteres.” A atual primeira-dama disse ainda que quem tem os “códigos nucleares” e os “militares sob o seu comando” tem de ser alguém “estável, ponderado e bem informado”.

“Eu quero um presidente que ensine às nossas crianças que toda a gente neste país importa", sublinhou Michelle, referindo a importância de um tratamento igual para todos os cidadãos, independentemente das diferenças que fazem parte da própria História dos Estados Unidos.

“Esta é a história deste país. É a história que me trouxe a este palco hoje. A história de gerações de pessoas que sentiram o chicote da escravidão, a vergonha da servidão, a picada da segregação, que continuaram a lutar, a ter esperança e a fazer o que tinha de ser feito. Por isso, hoje, acordo todos os dias numa casa que foi construída por escravos. E vejo as minhas filhas – duas jovens negras, bonitas e inteligentes – a brincar com o cão nos jardins da Casa Branca. E graças a Hillary Clinton, as minhas filhas, e todos os nossos filhos e filhas, têm agora a certeza de que uma mulher pode ser presidente dos Estados Unidos.”

TANNEN MAURY / REUTERS

Michelle Obama emocionou-se quase no final do seu discurso, quando enalteceu aquilo que, para si, são os Estados Unidos. “Não deixem que ninguém vos diga que este país não é grande. Que vos diga que, de alguma forma, temos de o tornar grande outra vez. Porque este é, neste momento, o maior país no mundo."

Ao terminar, Michelle voltou a apelar ao voto em Clinton, como sucessora de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos da América. “Não podemos ficar sentados e esperar que tudo corra pelo melhor, não nos podemos dar ao luxo de estarmos cansados ou frustrados ou cínicos. Oiçam-me: entre agora e o mês de novembro, temos de fazer o que fizemos há oito anos e há quatro anos”, concluiu.

No início dos trabalhos nesta convenção, os líderes do partido norte-americano pediram desculpa ao senador Bernie Sanders, adversário de Hillary Clinton nas eleições primárias democratas, por 'emails' "indesculpáveis" destinados a minar a sua corrida à Casa Branca e que foram dados a conhecer pela Wikileaks.

Os apoiantes de Sanders protestaram, dentro do próprio partido, contra essa atitude. Num comício, ainda antes do início da convenção, Bernie Sanders manifestou o seu apoio a Clinton e pediu aos seus apoiantes para votarem nela a 8 de novembro.