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UE pondera criar regime de isenção para o Reino Unido manter circulação de bens e não de pessoas

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GETTY IMAGES

"The Guardian" diz que há consenso entre os líderes dos Estados-membros, à exceção de França, para permitir que o Reino Unido continue a integrar o mercado único sem respeitar a livre movimentação de pessoas

Está em discussão nas capitais europeias um plano para permitir que o Reino Unido fique isento de cumprir e respeitar a livre circulação de pessoas durante até sete anos sem que isso ponha em causa do seu acesso ao mercado único — num regime de exceção que não agrada aos franceses, aos polacos nem a outros Estados-membros da Europa central e de leste mas que poderá vir a ser central no futuro acordo de Brexit que a União Europeia vai negociar com Londres.

De acordo com o "The Guardian", fontes da UE e do Reino Unido já confirmaram que, apesar da resistência inicial do Presidente francês, François Hollande, no encontro com a nova primeira-ministra britânica, Theresa May, na semana passada, a ideia de um "travão de emergência" não só está a ser discutida como, a ser aprovada, deverá ir mais além do que o "estatuto especial" que David Cameron tinha negociado antes do referendo de 23 de junho, no qual 52% da população britânica que foi às urnas votou pela saída da UE.

Os diplomatas britânicos ouvidos pelo "The Guardian" dizem que, apesar de ser "ainda muito cedo", está "certamente em cima da mesa a possibilidade" de um tal acordo — que, se for alcançado e se definir um limite temporal para a sua aplicação, permitirá a May responder às exigências da população britânica de mais controlos à imigração (até) de outros Estados da UE, sem com isso pôr em causa o acesso ao mercado único europeu. Ou seja: a saída do Reino Unido do bloco regional aconteceria a dois tempos, anulando o choque para a economia britânica de um abandono abrupto da zona de livre circulação de bens, serviços e capital, minimizando ao mesmo tempo o choque do divórcio inédito para a restante UE.

O acordo prevê que o Reino Unido continue a participar no orçamento da UE, ainda que provavelmente com contribuições mais baixas do que as que pagava até agora, impedindo ainda os britânicos de se sentarem à mesa de negociações de tratados comerciais e das regras de funcionamento do mercado, pelo facto de que vai deixar de ser um membro de plenos direitos.

Questionado sobre esta possibilidade numa visita à sede da ONU em Nova Iorque este fim-de-semana, o novo ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido alterou a sua postura, dizendo acreditar que é possível alcançar um acordo desta natureza para agradar aos britânicos e a toda a UE.

"Não tenho dúvidas nenhumas de que este equilíbrio pode ser alcançado e durante as próximas semanas vamos discutir isso no Governo e com os nossos amigos e parceiros da UE", disse Boris Johnson, até há um mês o cabeça-de-cartaz do Brexit que, durante a campanha pela saída da UE, usou a participação do Reino Unido no orçamento comunitário como arma de arremesso contra os que defendiam a permanência no bloco. "Toda a gente quer rápidos progressos nos interesses económicos dos britânicos e da União Europeia e penso que existe muito espaço para um acordo destes ser alcançado. Quanto mais depressa o alcançarmos melhor."