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Internacional

Relatório da polícia sobre o atentado em Nice continua a abalar França

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O ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, tem vindo a ser criticado por uma alegada insuficiência do dispositivo de segurança durante o evento do dia 14 de julho em Nice

STEPHANE MAHE

Ministro francês do Interior reage a declarações da responsável pelo centro de videovigilância da polícia de Nice, que acusa o Governo de a ter pressionado para alterar o relatório sobre o dispositivo de segurança destacado para o local do atentado, a 14 de julho

Bernard Cazeneuve, ministro do Interior francês, considera "graves" as acusações feitas por uma responsável da polícia municipal de Nice, que acusou o Governo de a ter pressionado a alterar o relatório sobre o dispositivo de segurança destacado para o local onde se deu o atentado, que provocou 84 mortos. Cazeneuve anunciou que vai apresentar uma queixa por difamação.

A responsável pelo centro de videovigilância da polícia de Nice, Sandra Bertin, disse, numa conferência de imprensa, que no dia a seguir ao ataque foi posta em contacto com o Ministério do Interior por um comissário e que lhe foram pedidas alterações ao relatório.

O objetivo era sublinhar a presença da polícia local no evento de comemoração da Tomada da Bastilha, em Nice, a 14 de julho, e confirmar que a polícia estava presente em dois pontos diferentes.

"Disseram-me para registar posições específicas da polícia nacional que eu não consegui ver no vídeo", afirmou, citada pelo jornal francês "Le Figaro". "A polícia poderia lá estar, mas eu não consegui ver no vídeo."

Desde o ataque que a alegada insuficiência do dispositivo de segurança tem gerado conflito entre o Governo francês e a oposição de direita, que aponta a responsabilidade ao ministro do Interior. O presidente francês, François Hollande, manifestou na sexta-feira "toda a confiança" no ministro do Interior.

Na quinta-feira, o jornal francês "Libération" afirmou que o controlo da entrada da zona pedonal do Promenade des Anglais, onde 30 mil pessoas assistiam ao fogo-de-artifício, estava a ser feito por um único veículo da polícia municipal e que a polícia nacional francesa estava quase ausente da zona.

O atentado aconteceu no dia 14 de julho, quando um camião avançou sobre uma multidão durante dois quilómetros. O último balanço aponta para 84 mortos e 202 feridos. Pelo menos quatro cidadãos portugueses ficaram feridos no ataque, confirmou o Governo português.

O presidente francês anunciou o prolongamento por mais seis meses do estado de emergência que vigora no país desde o ano passado.