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Líder dos democratas demite-se por causa de emails anti-Sanders

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Chip Somodevilla

Anúncio de Debbie Wasserman surgiu na véspera do início da Convenção Nacional do partido, na qual a candidatura de Hillary Clinton à Casa Branca será fornalizada até quinta-feira

A líder do Partido Democrata norte-americano anunciou no domingo que vai abandonar o cargo no final da Convenção Nacional que vai estar a decorrer entre esta segunda e quinta-feira, após a WikiLeaks ter revelado mais de 19 mil emails do partido onde se comprova que Debbie Wasserman e outros democratas trabalharam para impedir que Bernie Sanders conseguisse a nomeação.

Numa tentativa de unir o partido e de não alienar os apoiantes do senador pelo Vermont, que há um mês abandonou a corrida e anunciou o seu apoio formal à rival Hillary Clinton, Wasserman decidiu demitir-se, cedendo às pressões de Sanders na véspera do início do encontro nacional do partido no qual Clinton será confirmada como a candidata democrata à Casa Branca nas eleições presidenciais de novembro.

Mais de 19 mil emails internos do Comité Nacional Democrata (CND) foram tornados públicos pela WikiLeaks a 22 de julho, demonstrando os esforços da líder do organismo máximo do partido e de outros altos cargos para atacarem Sanders e tentarem, assim, minar os seus esforços contra Hillary durante o processo de primárias, no qual o senador venceu em 22 estados.

"Planeámos uma convenção grande e unida para esta semana e espero que a equipa do CND que trabalhou tão arduamente para nos trazer a este ponto tenha um forte apoio de todos os democratas, por forma a garantir que temos a melhor convenção de sempre", disse Debbie Wasserman num comunicado no qual confirmou que vai "demitir-se como líder do partido no final da convenção" mas que, ainda assim, mantém os planos de inaugurar e encerrar o encontro.

Ao longo dos próximos quatro dias, o partido no poder vai tentar passar a imagem de que está mais unido e empenhado que o Partido Republicano, que na semana passada confirmou a candidatura de Donald Trump à presidência numa convenção marcada por zaragatas e acusações de plágio.

No domingo, Clinton ganhou mais um apoio de força, o do ex-autarca nova-iorquino Michael Bloomberg, que será um dos oradores principais do encontro em Filadélfia, no estado da Pensilvânia — e que se torna assim no primeiro republicano de peso a anunciar formalmente o seu apoio a Clinton como forma de protesto contra a nomeação de Trump pelo seu próprio partido.

Esta segunda-feira serão Michelle Obama, a primeira-dama de saída, e Bernie Sanders a inaugurar o palco para discursar aos delegados eleitorais e membros do partido sobre as capacidades e qualidades da ex-secretária de Estado por oposição à falta de qualificações do rival republicano.

A juntar à demissão de Wasserman e ao apoio de Bloomberg, outras duas grandes notícias marcaram a véspera do início do encontro democrata. Ainda sobre a revelação dos milhares de emails internos do CND, a campanha de Clinton acusou a Rússia de estar por trás dessa delação para minar a sua candidatura e ajudar Trump a vencer as eleições presidenciais em novembro.

Numa outra nota, o comité de regras do partido aprovou este fim-de-semana a criação de uma "comissão de reforma de unidade", que a partir do próximo ano terá como função avaliar o papel dos superdelegados e do processo de caucuses estatais em processo de primárias democratas, para as tornas mais transparentes.

A comissão, que representa um compromisso entre Clinton e Sanders e que os analistas classificam como uma grande vitória para a ala mais liberal e de esquerda, que apoia o senador, será composta por nove membros escolhidos pela candidata, sete escolhidos pelo seu ex-rival e outros três nomeados pelo CND.

O grupo de democratas terá até janeiro de 2018 para apresentar as suas conclusões e recomendações, entre outras sobre o papel e importância dos superdelegados, membros do partido eleitos para cargos públicos que não têm disciplina de voto e que não estão vinculados aos resultados das primárias nos seus estados, podendo escolher que candidato querem apoiar na convenção nacional.