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Alemanha: bombista suicida tinha jurado fidelidade ao Daesh num vídeo

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Foi na madrugada de domingo que um homem de 27 anos se fez explodir em Ansbach, cidade no sul da Alemanha, depois de lhe ter sido recusada entrada num festival de música

MICHAELA REHLE / REUTERS

Homem de 27 anos fez-se explodir na madrugada deste domingo perto de um bar. Foi a única vítima mortal

O homem sírio de 27 anos que se fez explodir em Ansbach, uma cidade do sul da Alemanha, na madrugada deste domingo, tinha jurado fidelidade ao líder do Daesh. A informação foi avançada esta segunda-feira pelo ministro do Interior da Baviera, Joachim Hermmann, com base num vídeo encontrado no telemóvel do bombista.

O ataque decorreu esta madrugada à porta de um bar na cidade alemã, depois de ter lhe sido recusada a entrada num festival de música, pouco depois das 22h locais. A bomba estava numa mochila, que continha vários pedaços metálicos.

Do ataque resultaram 15 feridos, alguns em estado grave. As informações avançadas apontam para que há um ano tenha sido recusado o estatuto de refugiado ao homem e que ele sofresse de problemas psiquiátricos.

O ministro do Interior da Baviera referiu ainda que no vídeo, em língua árabe, o ataque é referido como "vingança" contra a Alemanha.

"Uma tradução provisória feita por um intérprete mostra que ele anuncia expressamente, em nome de Alá, e provando a sua fidelidade a Abu Bakr al-Baghdadi, o famoso líder islamista, um ato de vingança contra os alemães por se estarem a por no caminho do Islão", disse o ministro do Interior da Baviera, citado pelo jornal britânico "The Guardian".

"Penso que depois deste vídeo, não há dúvida de que este foi um ataque terrorista com um contexto islamista", concluiu Joachim Hermmann.

Após as buscas feitas em casa do bombista, foi também encontrada gasolina, químicos e outros materiais que poderiam ser usados para fazer uma bomba, segundo a informação avançada esta segunda-feira. O ministro do Interior acrescentou não haver ainda nenhuma prova de ligação direta a organizações extremistas.

O que se sabe sobre o bombista

Até agora, sabe-se que o homem sírio tinha chegado à Alemanha há dois anos e que tinha pedido asilo.

“Como parte do procedimento para requerer asilo, foram dadas indicações de que o homem já tinha sido registado como refugiado noutros países europeus. O pedido tinha sido registado na Bulgária e na Áustria. Contactámos as autoridades búlgaras, que nos informaram que lhe tinham dado o estatuto de refugiado. Por isso, a 2 de dezembro de 2014, o seu pedido de asilo foi recusado, e foi dada ordem para deportação para a Bulgária", explicou segunda-feira o ministro do Interior alemão, Thomas De Maizière.

Depois de ter sido tomada essa decisão de deportação, exames médicos apontaram para que o homem sofresse de “instabilidade psicológica”. “Em resultado disso, a ordem de deportação foi suspensa", acrescentou De Maizière, citado pelo "The Guardian".

Já em julho o processo de deportação voltou a ser-lhe imposto. O ministro do Interior alemão disse ainda que o homem tentou por duas vezes suicidar-se, o que o levou a estar internado “durante algum tempo num hospital psiquiátrico”.

Este é o quarto ataque na Alemanha, numa semana. Consequentemente, o Governo alemão decidiu aumentar a presença de polícia nos aeroportos e estações de comboios, para além de operações de controlo junto das fronteiras.

Recorde-se que há uma semana, na segunda-feira, um jovem de 17 anos armado com um machado e uma faca feriu cinco pessoas num comboio, perto de Würzburg. Na sexta-feira, um jovem de 18 anos, nascido na Alemanha, filho de pais iranianos, disparou perto de um centro comercial matando nove pessoas. Já no domingo, um homem sírio de 21 anos matou uma mulher e feriu outras duas em Reulingen.