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Munique. “Foi bom vir aqui, porque deixei que as emoções saíssem”

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SVEN HOPPE/EPA

As homenagens sucedem-se em Munique. Centenas de pessoas passaram pelo local onde um rapaz de 18 anos tirou a vida a nove pessoas. Multiplicaram-se os rostos de jovens incrédulos

Há uma bandeira da Albânia junto ao memorial que começou a formar-se com vista para o Centro Comercial Olympia. O vermelho do pano parece ainda mais vivo e mais doloroso ao lado dos nomes de “Diamant, Armela e Sabina”. Na voz de Florian também há dor, o jovem conhecia os donos de dois deste nomes, albaneses como ele.

“Tive muito medo que se tratasse de um ataque igual ao de Paris”, contou ao Expresso e à SIC. Um receio que não desapareceu quando a polícia alemã afastou a hipótese de David Sonboly, o autor dos disparos, ter ligações ao autoproclamado Estado Islâmico.

“Ainda tenho medo de estar na rua”, diz, ao mesmo tempo que reconhece que vir até ao memorial e ao lugar do ataque o ajudou: “Foi bom vir aqui, porque deixei que as emoções saíssem e chorei um pouco”.

Durante todo o dia foram muitos os grupos de jovens que chegaram e partiram, mantendo sempre preenchida a rua que separa o Centro Comercial Olympia do restaurante McDonalds mesmo em frente. Multiplicavam-se os olhares tristes e ainda incrédulos.

Tim traz uma flor branca na mão. Veio rezar. “Estou aliviado por nenhum dos meus amigos ter sido atingido, mas estou muito triste pelas famílias que perderam os filhos. Pessoas da minha idade e até mais novas”, conta.

Para este jovem de Munique é ainda difícil pensar que tudo tenha acontecido na cidade onde cresceu. Uma cidade que, acredita, vai saber seguir em frente. “Temos de lidar com o que aconteceu e vamos fazê-lo. Estamos tristes mas não vamos perder a nossa alegria de viver”, continua, dizendo que não vai permitir que “atos estúpidos” determinem a forma como vive.

David Sonboly também tinha apenas 18 anos. Não morava muito longe do Centro Comercial Olympia e foi perto de casa que tirou a vida a nove pessoas. Filho de pais iranianos, nasceu na Alemanha e terá alimentado um fascínio por homicídios em massa.

As motivações que o levaram a disparar sobre pessoas da mesma idade continuam a ser investigadas pela polícia. A cidade faz o luto.