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Massacre de Munique estava a ser planeado há um ano por David Sonboly

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Homenagem às vítimas no local onde nove pessoas foram mortas por um jovem de 18 anos, em Munique

SVEN HOPPE/EPA

Surgem novas pistas para explicar o massacre da passada sexta-feira em Munique. O atacante visitou no ano passado a localidade onde um outro jovem abriu fogo sobre os estudantes de uma escola, matando 16 pessoas

O jovem atirador de Munique que matou nove pessoas na sexta-feira ao final da tarde estaria a planear o ataque há um ano, afirmaram as autoridades germânicas.

Nas últimas horas, a investigação iniciada pela polícia alemã tem trazido à luz do dia novos dados que poderão ajudar a esclarecer o que levou David Ali Sonboly, um jovem de 18 anos que vivia com os pais num bairro da cidade, a atrair um número indeterminado de pessoas ao McDonalds local, para as atacar.

Robert Heimberger, chefe da polícia criminal da Baviera, explicou que Sonboly fez uma visita durante o ano passado à cidade de Winnenden, onde a 11 de março de 2009 um rapaz de 17 anos disparou sobre os estudantes de uma escola secundária, matando 16 pessoas. Aquando da visita, Sonboly terá tirado fotografias, disse ainda o responsável policial.

Sonboly é descrito como um jovem viciado em jogos de computador em que o jogador veste a pele de um atirador.

As perícias efetuadas no apartamento onde vivia, bem como depoimentos recolhidos na sequência do tiroteio, permitiram perceber que David atuou sozinho, com uma arma comprada no mercado negro, através da internet.

Ao contrário do que tinha sido avançado inicialmente, Heimberger informou que nas buscas feitas à casa do jovem a polícia não encontrou o manifesto de Anders Breivik, o homem que cinco anos antes matara 77 pessoas em Utoya e Oslo, na Noruega. Na véspera colocara-se a hipótese de Sonboly se ter inspirado nos atos do noruguês, tendo sido dado como certo que o jovem alemão era obcecado por assassínios em massa.

As autoridades alemãs fizeram saber, poucas horas após o massacre, que o autor deste atentado não tem quaisquer ligações com grupos terroristas ou jiadistas, como chegou a suspeitar-se. Também não é claro que o massacre tenha tido motivações políticas.

Sete das nove pessoas que morreram em Munique eram adolescentes, mas nenhum era colega de turma de David. A polícia pôde, assim, concluir que o atirador escolheu as suas vítimas aleatoriamente. Os sete jovens tinham diferentes nacionalidades: dois turcos, dois alemães, um húngaro, um grego e um kosovar.

Certo é que Sonboly sofria de depressão e “tinha medo de contactar com os outros”, afirmou Thomas Steinkraus-Koch, porta-voz do Ministério Público em Munique.

O responsável informou, em conferência de imprensa, que o jovem esteve dois meses internado numa clínica para doentes mentais em 2015, e que continuou a receber tratamento psiquiátrico depois disso.