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“Escondermo-nos em casa todos os dias não é viver”

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SVEN HOPPE/EPA

O fim de semana passou. Foi de luto e de dor que vão ainda demorar a desaparecer. Mas a cidade de Munique reage e o Centro Comercial Olympia deverá reabrir já esta segunda-feira

Giovanna Dippolito não cede ao medo apesar do que sentiu esta sexta-feira. Estava a caminho do centro comercial Olympia, já muito perto, quando ouviu os disparos. “Não sabia se devia ficar na rua, mas muitas pessoas vinham correndo e eu entrei neste prédio”, diz, apontando para o edifício a cerca de 150 metros do shopping.

A jovem brasileira, a viver há 10 anos na Alemanha, está a terminar a faculdade. Diz que Munique ainda é a cidade onde quer continuar a viver e que se sente em segurança. “Munique sempre foi uma cidade segura, a polícia chegou em poucos segundos e tomou conta da situação”, recorda. “Vou continuar a vir aqui, moro aqui do lado, faço tudo aqui, venho à academia, ao mercado”.

A 14 quilómetros do centro comercial, noutra zona da cidade, o restaurante “O Castelo” não viu o número de clientes diminuir. O proprietário, Manuel Monteiro, fala num domingo com muitos pedidos. “No restaurante não senti diferença mas nas lojas onde vamos fazer compras estão menos pessoas do que o normal”, disse ao Expresso e à SIC.

Manuel Monteiro mora há 20 anos na Alemanha. Não sente medo porque, segundo ele, não vale a pena. No entanto, antecipa mudanças: “Acho que a partir de agora vão apertar mais com a segurança nas estações do metro, nos centros comerciais, onde houver mais aglomerados de pessoas”.

O sentimento de preocupação ainda não desapareceu completamente e há questões por responder sobre o ataque que provocou nove vítimas mortais, e sobre autor de 18 anos com perturbações mentais e fascínio por homicídios em massa. No entanto, a cidade começa a reagir e a querer regressar ao ritmo habitual.

Na Marienplatz, no coração da cidade, são muitos os turistas que passam para ver e ouvir o relógio da Neus Rathaus, o edifício municipal em estilo neogótico construído entre os século XVIII e XIX. As esplanadas estão bastante cheias e um empregado de mesa explica que não sentiu grande diferença na movimentação. Dois outros contrapõem que há menos gente do que habitualmente, sobretudo locais.

Sven Knothe pensava que chegaria ao centro e não encontraria lugar nas esplanadas, mas, afinal, foi fácil conseguir uma mesa livre. O jovem alemão diz que compreende o choque sentido por quem vive em Munique, mas acrescenta: “a vida continua, não podemos desistir porque isso é o os terroristas querem”.

A confirmação da polícia de que o ataque de sexta não teve ligações ao autoproclamado estado islâmico trouxe-lhe também alívio. “Foi apenas um homem, um homem louco”, diz Sven. “Infelizmente, aconteceu aqui, mas pode acontecer em qualquer lugar. Não devemos mudar as nossas vidas, porque escondermo-nos em casa todos os dias não é viver”, conclui.

Na mesa de Sven, estão mais de dez amigos e amigas. Vêm de várias partes dos Estados Unidos e estão descontraídos, de cerveja no copo. Dennis Smith, na casa dos 50, está completamente tranquilo. “É um lugar maravilhoso para visitar. É seguro! É difícil encontrar uma cidade mais segura”, conta.

Este americano está perto de perder a conta ao número de vezes que veio à Alemanha. É um defensor do país. “As pessoas vão continuar um pouco nervosas, o que é normal, mas acho que em geral a reação é boa, as pessoas sabem que já passou e que a polícia está a lidar com o problema”.

O fim de semana passou, com luto e homenagens junto ao Centro Comercial Olympia. A expectativa dos lojistas é para que reabra portas já esta segunda-feira, o que deverá acontecer por volta das 10 horas da manhã (em Munique), depois de uma homenagem às vítimas.