Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Estado Islâmico mata pelo menos 80 pessoas em Cabul

  • 333

OMAR SOBHANI/REUTERS

Um atentado numa manifestação pacífica em Cabul, no Afeganistão, provocou a morte de pelo menos 80 pessoas e ferimentos em outras 231. Estado Islâmico reivindicou o ataque

Helena Bento

Jornalista

Dois homens fizeram-se explodir este sábado durante uma manifestação pacífica em Cabul. Morreram pelo menos 80 pessoas e outras 231 ficaram feridas, afirmou este sábado um porta-voz do ministério da Saúde do Afeganistão.

Um dos balanços anteriores apontava para 20 pessoas mortas e 160 feridas. Mohammad Ismail Kawoosi, em declarações à agência de notícias francesa AFP, chamara já a atenção para a possiblidade de o número de mortos poder aumentar. O autoproclamado Estado Islâmico reivindicou o atentado, segundo a Amaq, agência de notícias do grupo terrorista.

Um fotógrafo da AFP, que se encontrava no local, viu “dezenas de corpos”, muitos dos quais “desmembrados”. “Quando cheguei havia dezenas de corpos, contei mais de 20, alguns totalmente desmembrados”, relatou o fotógrafo. “Vi outros corpos mutilados perto de um veículo das forças especiais da polícia. Há um mar de sangue por todo o lado”, acrescentou.

Qais Azimy, repórter da Al-Jazeera, referiu-se ao ataque como tendo sido “um dos mais mortíferos ocorridos na capital afegã nos últimos anos”. “A cidade de Cabul está totalmente em choque”, afirmou o jornalista. A confirmar-se a autoria do atentado, disse ainda Qais Azimy, “isso revelará que o grupo terrorista está cada vez mais forte”.

Na manifestação deste sábado, durante a qual ocorreu o atentado, participavam milhares de membros da comunidade xiita hazara; juntaram-se para protestar contra o traçado de uma nova linha de fornecimento de energia elétrica, que vai deixar de fora Bamyan e Wardak, as duas províncias habitadas pelos hazara no Afeganistão. A comunidade, de origem mongol, que representa atualmente cerca de 20% da população total do país, foi perseguida e atacada durante décadas; milhares de hazaras foram mortos no final dos anos de 1990 por talibãs e pela Al-Qaeda. Embora a partir de 2004 tenham passado a ter mais direitos, consagrados na Constituição afegã, muitos continuam a sentir-se discriminados.

“Os não-hazara, mesmo aqueles que revelam uma maior abertura e um nível de educação superior, disseram-me que se sentem desconfortáveis quando veem hazaras em determinados lugares de poder no Afeganistão”, dizia Melissa Chiovenda, antropóloga, recentemente à Al Jazeera. “Sentem que eles deviam continuar a ser funcionários ou operários”.

Em comunicado citado pela mesma televisão árabe, o Presidente afegão Ashraf Ghani disse estar “profundamente triste” com o sucedido e informou, sem avançar números, que entre as vítimas mortais encontram-se membros das forças de segurança.