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Internacional

União Europeia diz que medidas de Erdogan pós-tentativa de golpe são "inaceitáveis"

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UMIT BEKTAS/ Reuters

Chefe da diplomacia do bloco diz que condições sob as quais se pode suspender a Convenção Europeia de Direitos Humanos não se aplicam à situação atual da Turquia

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, e o comissário para o alargamento do bloco, Johannes Hahn, classificam como "inaceitáveis" as detenções e despedimentos em massa que o Governo turco de Recep Tayyip Erdogan tem levado a cabo desde a alegada tentativa de golpe de Estado falhada, num comunicado em que se declaram ainda "preocupados" com a decisão da Turquia em declarar o estado de emergência.

Com estas medidas, dizem os dois responsáveis do Executivo europeu, os líderes da Turquia passam a deter "poderes alargados para governarem sob decreto". Ambos pedem ao Presidente turco que respeite o Estado de Direito e as liberdades e direitos humanos e também as condições sob as quais a suspensão da Convenção Europeia de Direitos Humanos é permitida, após esse passo ter sido anunciado na quinta-feira.

Ao longo da última semana, desde que uma fação do Exército tentou alegadamente depôr Erdogan, mais de 50 mil pessoas já foram suspensas de funções ou detidas por alegadas ligações aos golpistas. No rescaldo imediato do golpe falhado, milhares de soldados e generais das forças armadas turcas foram levados para a prisão, juntamente com vários funcionários do setor da Justiça logo nos primeiros dias pós-golpe.

Ao longo dos dias seguintes, foram despedidos 15200 funcionários do Ministério da Educação, oito mil agentes da polícia, 1500 funcionários do Ministério das Finanças e 257 pessoas do gabinete do primeiro-ministro. Mais de 1500 professores universitários foram obrigados a entregar cartas de rescisão e 21 mil professores do ensino público viram as suas licenças ser revogadas, com mais de 600 escolas encerradas.

Três milhões de pessoas receberam entretanto avisos do Governo a proibi-las de viajarem para o estrangeiro e 34 jornalistas viram as suas carteiras profissionais revogadas, ficando proibidos de exercer a sua profissão. No início da semana, o comissário europeu para o Alargamento já tinha referido que os despedimentos em massa têm por base listas que parecem ter sido compiladas antes da alegada tentativa de golpe. A Amnistia Internacional fala numa "operação repressiva de proporções excecionais".