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Trump apresenta a sua doutrina: “Americanismo, não globalismo”

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John Moore

No discurso em que aceitou a nomeação do Partido Republicano para ser candidato às Presidenciais, o magnata populista e xenófobo prometeu combater as grandes “ameaças à segurança” dos EUA, entre as quais inclui os imigrantes e os “tratados comerciais que destruíram a classe média americana”

Há um ano parecia impossível que Donald Trump conseguisse sequer sobreviver às primeiras semanas do processo de primárias republicanas que foi concluído no final de junho. Mas contra tudo o que seria de esperar, o magnata do imobiliário tornado estrela de reality shows tornado candidato presidencial não só sobreviveu, como derrotou todos os rivais na corrida, vendo a sua nomeação confirmada pelo Partido Republicano na Convenção Nacional que esteve a decorrer esta semana em Cleveland, no Ohio.

Exatamente 401 dias depois de ter surgido no átrio de uma das suas Trump Towers, em Nova Iorque, para anunciar que pretendia candidatar-se à Casa Branca nas Presidenciais de 2016, um Trump reforçado por dezenas de votações estatais entre fevereiro e junho mas sem o apoio de todo o Partido Republicano subiu ontem ao palco da arena Quicken Loans para aceitar a nomeação, prometendo lutar pela "segurança" da América.

Envolto em inúmeras acusações de xenofobia e racismo, de mentir sobre o seu currículo empresarial, de ser sexista e misógino e "patologicamente egocêntrico", e de ter violado uma rapariga de 13 anos em 1994, Trump surgiu triunfante para delinear o seu programa de governo e prometer que "o crime e a violência que hoje afligem a nossa nação chegarão ao fim em breve".

Falando durante mais de uma hora, com as notadas ausências do senador Ted Cruz e do clã Bush, alguns dos republicanos que se recusam a apoiá-lo, Trump prometeu unir o partido e unir os "americanos esquecidos" contra as ameaças que o país enfrenta, entre elas o radicalismo, a imigração clandestina e os tratados comerciais com outros países que "destruíram a classe média" americana.

"Iremos liderar o nosso país de volta à segurança, à prosperidade e à paz. Seremos um país de generosidade e calor mas também de lei e ordem", garantiu o empresário nova-iorquno ao delinear o seu plano para "pôr a América em primeiro lugar". Esse plano, com base no discurso desta madrugada [hora portuguesa] que ficou marcado inúmeras vezes por ataques ferozes a Hillary Clinton, passa, como já tinha anunciado, pela construção de um "grande muro fronteiriço" para travar a imigração clandestina, os gangues e o tráfico de drogas.

Entre os momentos de destaque da noite de ontem em Cleveland contam-se as acusações à candidata democrata por propor o que Trump diz serem "amnistias em massa, imigração em massa e ilegalidades em massa"; as acusações a Barack Obama por falhar às cidades do interior nos setores da educação, do emprego e do crime; a promessa de reverter o alegado "facto" de que 18 mil imigrantes com registos criminais estão "à solta" a ameaçar cidadãos; a promessa de acabar com tratados bilaterais de comércio que "destruíram a classe média" americana; e a de seguir a doutrina do "americanismo e não do globalismo" no que toca à política externa.

Neste campo, Trump já tinha assustado muitos, dentro e fora dos EUA, com uma entrevista concedida ao "New York Times" na quinta-feira, onde promete, entre outras coisas, encerrar bases militares norte-americanas no estrangeiro para poupar dinheiro e abolir o princípio de proteção automática aos aliados da NATO em caso de ameaças ou ataques.

Trump foi apresentado à multidão de delegados eleitorais e membros do Partido Republicano pela sua filha mais velha, Ivanka — aquela com quem o candidato gostava de sair e namorar se não fossem pai e filha — que falou de maternidade, para assegurar que o seu pai vai melhorar os cuidados infantis, e que falou de como ele trata bem as suas funcionárias mulheres, para tentar enterrar as inúmeras acusações de assédio sexual e misoginia de que Trump é alvo.

Afastando-se da ortodoxia republicana, o candidato prometeu ainda aceitar e defender os direitos gay, enquadrando-os nos valores americanos para mais um ataque à imigração. "Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para proteger os cidadãos LGBT da violência gerada pela ideologia estrangeira do ódio."