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O que sabemos e desconhecemos sobre o tiroteio em Munique: guia de perguntas e respostas

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Joerg Koch / Getty

Ataque não tem ligação ao fundamentalismo islâmico. Morreram dez pessoas

1. O que é que aconteceu?

Um centro comercial que fica a cerca de 10kms do centro de Munique, o OEZ - Olympia Einkaufszentrum, foi atacado por um atirador. Tudo começou no interior de um restaurante de fast food e seguiu para o interior do centro comercial Olympia. Houve posteriormente relatos de um outro tiroteio no centro da cidade, mas a polícia negou essa informação.

2. Quantas vítimas há?

Polícia confirma que morreram dez pessoas e que há 27 feridos, dez em estado grave, entre os quais um rapaz de 13 anos. Uma das vítimas mortais é o atirador, que se suicidou, pelos 20h30 (hora local), a cerca de um quilómetro do Olympia. Não há turistas entre as vítimas.

3. De quem é autoria do tiroteio?

Inicialmente, foi confirmado que haveria apenas um atirador. Entretanto, as autoridades admitiram que poderiam ser três os responsáveis pelo tiroteio. Já na madrugada de sábado, a polícia de Munique confirmou a “grande probabilidade” de o ataque ter sido levado a cabo apenas por uma pessoa: um rapaz de 18 anos com dupla nacionalidade - alemã e iraniana.

Ainda são desconhecidas as suas motivações, mas a polícia acredita que este ataque poderá estar relacionado com o massacre levado a cabo por Anders Breivik, na Noruega, onde morreram 77 pessoas. Também não foi ainda revelado oficialmente o nome do jovem autor dos disparos, mas meios de Comunicação Social locais dizem tratar-se de Ali David Sonboly. Sabe-se que nasceu e cresceu em Munique com os pais, no bairro de Maxvorstadt e que não tinha antecedentes criminais mas sofria de problemas psiquiátricos.

4. Como é que as autoridades alemãs estão a reagir?

Foi declarado estado de emergência na cidade alemã. A principal estação de comboios de Munique foi evacuada por razões de segurança. Os transportes públicos foram suspensos.Entretanto, ao começo da madrugada as restrições foram levantadas.

5. O que é que polícia pediu aos habitantes?

Fiquem em casa. Não tirem nem partilhem fotografias das operações policiais, para não ajudarem os suspeitos a escaparem às autoridades. Estes têm sido os principais apelos da polícia de Munique. A população deve permanecer em locais seguros.

6. Quem já reagiu ao ataque?

Marcelo Rebelo de Sousa repudiou o ataque a Munique. Entretanto, Angela Merkel marcou reunião do Conselho de Segurança Federal e o presidente alemão, Joachim Gauck, referiu que está “horrorizado” com “ataque assassino”.

Barack Obama lamentou o ataque e sublinhou, lembrando que a Alemanha é uma “das mais próximas aliadas” dos Estados Unidos da América, que estará disponível para “providenciar toda a ajuda de que possam precisar para lidar com estas circunstâncias”. E aproveitou ainda para fazer uma pequena homenagem às forças policias. Mariano Rajoy recorreu ao twitter para referir que os alemães podem contar com o apoio de Espanha. “Preocupado e a seguir a evolução do ataque em Munique”, escreveu. Também Boris Johnson, ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, utilizou a mesma rede social: “Profundamente chocado e triste pelos tiroteios em Munique”.

O primeiro-ministro, António Costa, disse este sábado que Portugal sente “a dor e preocupação” da Alemanha. "Mais uma vez, a violência e o terror surgem do nada e deixam a Europa em choque. Solidários, sentimos a dor e preocupação da Alemanha", escreveu na sua conta pessoal no Twitter.

Também o Governo turco condenou o ataque, referindo-se à “matança de inocentes e de pessoas incapazes de se defenderem”. O Presidente russo, Vladimir Putin, também enviou condolências à chanceler Angela Merkel, segundo avançaram as agências de notícias russas.

No domingo, o papa Francisco expressou por telegrama a sua “consternação pela terrível violência” do ataque em Munique. O telegrama refere que Francisco transmite a sua dor e proximidade relativamente aos sobreviventes e ao seu sofrimento. Na mensagem, o papa também agradece às forças de segurança pelo seu trabalho atento e generoso e incentiva a que seja dado consolo às vítimas.

7. Quais os cuidados com a informação partilhada nas redes sociais?

Há imagens e vídeos a circular nas redes sociais que não estão relacionados com os acontecimentos de Munique. Um dos vídeos em causa, mostra tiros a serem disparados junto a uma cadeia de fast food. Apesar de já ter sido escrito e dito que aquele é o momento do ataque desta sexta-feira, a sua veracidade ainda não foi confirmada. Foi também partilhada uma imagem, fotografada a partir do topo de uma escadas rolantes, de onde se via os cadáveres. Essa imagem é na realidade de um incidente na África do Sul, em 2013. Em outro vídeo, vê-se e ouvem-se tiros, mas não passam de um simulacro que foi realizado há uns tempos na cidade inglesa de Manchester.

[guia de perguntas e respostas atualizado às 11h50 de 24 de julho de 2016]