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Trump quer reduzir apoio aos aliados da NATO e encerrar bases dos EUA no estrangeiro

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A vitória parecia certa

Chip Somodevilla

Numa entrevista ao “New York Times” na semana em que se a sua candidatura à Casa Branca foi confirmada, o magnata populista apresenta estratégia anti-intervencionista e aplaude o criticado Presidente da Turquia por “conseguir virar o jogo” após alegada tentativa de golpe de Estado

Se for eleito Presidente dos Estados Unidos em novembro, Donald Trump não só não irá cumprir a garantia de proteção automática a qualquer membro da NATO como irá “reavaliar” os tratados bilaterais que os EUA têm implementados.

Numa entrevista ao “New York Times” publicada na madrugada desta quinta-feira, horas antes do antecipado discurso do candidato republicano no encerramento da convenção do partido, Trump diz que os EUA só têm o dever de ajudar os seus aliados se estes tiverem “cumprido todas as obrigações” para com o país.

Todos os 28 Estados-membros da NATO são signatários de um tratado que dita o apoio militar automático a qualquer deles caso estejam sob ameaça ou ataque. Questionado sobre as ameaças russas a membros da NATO na região do Báltico, o magnata do imobiliário tornado candidato presidencial disse ao NYT que, se for eleito, provavelmente irá abandonar as proteções de longa data que os EUA garantem a Estados do leste europeu como a Polónia, a Roménia, a Estónia, a Letónia e a Lituânia.

Noutro levantar do véu ao discurso que fará esta tarde aos delegados eleitorais republicanos em Cleveland, o candidato divisionista disse também que, se for eleito Presidente, não vai intrometer-se na política interna dos seus aliados, mesmo em caso de repressão em massa, porque os EUA têm de “resolver a sua própria confusão” antes de “repreenderem” outros países.

Nesse sentido, e questionado sobre a tentativa falhada de golpe de Estado na Turquia, o candidato presidencial aclamou Recep Tayyip Erdogan, que está a ser criticado em todo o mundo pelas purgas de dezenas de milhares de opositores no rescaldo desse aparente golpe.

“Dou crédito [ao Presidente turco] por ser capaz de virar o jogo. Algumas pessoas dizem que [o golpe] foi orquestrado, mas eu não penso que tenha sido assim. Quando o mundo vê quão mal os Estados Unidos estão e nós começamos a falar de liberdades civis, não creio que sejamos um bom mensageiro.”

Na mesma entrevista, Trump declarou ainda que irá “reavaliar” os custos dos tratados bilaterais de Defesa que os EUA mantêm com vários países, forçando potencialmente os aliados dos norte-americanos a assumirem essas despesas. Sobre isso, o populista diz que “prefere ser capaz de manter” tratados existentes mas apenas se os aliados não estiverem a “aproveitar-se” das capacidades norte-americanas.

“Estamos a gastar uma fortuna nas forças armadas para perder 800 mil milhões de dólares [725 mil milhões de euros]. Isso não me parece muito inteligente”, sugerindo que poderá vir a encerrar várias das bases militares dos EUA no estrangeiro. “Se decidirmos que temos de defender os Estados Unidos, podemos sempre destacar” tropas do território americano para garantir uma estratégia “muito menos dispendiosa”, declarou.

Hoje à tarde, noite em Lisboa, Trump irá discursar aos membros do Partido Republicano no encerramento do encontro nacional do partido, onde a sua candidatura à Casa Branca já foi formalizada.